Brasília – A agência de classificação de risco Standard & Poor’s manteve hoje (8) o grau de investimento para o Brasil, mas fez uma advertência em relação à situação fiscal do país. Apesar de as perspectivas de evolução da dívida brasileira terem ficado estáveis, a agência alertou para o risco de que os gastos públicos continuem a aumentar no próximo ano.
De acordo com a agência, o governo brasileiro tem o desafio de retirar os estímulos à economia – como reduções de impostos – em pleno ano eleitoral, quando as pressões para o relaxamento da política fiscal e a alta nos gastos são maiores.
“Uma postura fiscal relaxada por muito tempo prejudicará a dinâmica da dívida governamental, complicará a política monetária e elevará a dependência do país de recursos externos”, afirmou a Standard & Poor’s em comunicado. “O compromisso do governo com a prudência fiscal continua sendo um elemento chave em nossa análise do rating, uma vez que os indicadores fiscais do Brasil ainda se mostram fracos.”
Embora tenha manifestado preocupação com o quadro fiscal no médio prazo, a Standard & Poor’s destacou que a recuperação econômica representa uma oportunidade de melhoria da gestão das contas públicas em 2010. Isso porque a arrecadação aumentará e os juros, que foram reduzidos para estimular a economia durante a crise financeira, permanecerão baixos por algum tempo, ajudando a reduzir a dívida.
“A forte recuperação econômica do Brasil vai apresentar aos formadores de política uma oportunidade para melhorar a posição de crédito do governo consolidando sua situação fiscal, mantendo a inflação sob controle e promovendo o desenvolvimento de investimentos privados no médio prazo”, ressaltou o comunicado. A agência projeta crescimento de 5,8% no Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano.
O grau de investimento representa a garantia de que o país tem capacidade de honrar os compromissos e pagar as dívidas interna e externa. Essa classificação permite ao Brasil atrair recursos de fundos de investimentos estrangeiros, que só aplicam onde o risco de calote é baixo.
A primeira vez que a Standard & Poor’s concedeu o grau de investimento ao Brasil foi em abril de 2008. Um mês depois, a Fitch também elevou a classificação do país. Em setembro deste ano, foi a vez da Moody’s, última das três principais agências de análise de risco, a incluir o Brasil nessa categoria. (Agência Brasil – Wellton Máximo)
