Primeiro semestre foi o pior dos últimos anos, avalia CNI

Brasília – O primeiro semestre deste o ano foi o pior dos últimos anos, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta, no entanto, uma recuperação já em curso. Para a CNI, a mudança na economia será puxada pelo mercado doméstico.

Hoje (6), a instituição divulgou indicadores que mostram crescimento do faturamento real de indústria em 1,6% em junho em comparação com o mês anterior. Em relação a junho do ano passado, porém, houve queda de 5,8%, a oitava nesse tipo de comparação desde o início da crise internacional, que começou a refletir no Brasil em outubro.

É o período mais longo de piora desses indicadores, segundo a CNI, que teve sua série histórica inciada em 2003..

Segundo o gerente executivo da Unidade de Pesquisa, Avaliação e Desenvolvimento da CNI, Renato Fonseca, o impacto da crise só não é comparável ao da crise de 1929 porque não se tem os dados estatísticos de então da maneira que se tem atualmente. Mas, com certeza, não houve nada parecido nos últimos dez ou 20 anos, afirmou.

“Em termos de comparação de semestre, foi o pior. O tombo realmente da crise aconteceu no final do ano passado e no início deste ano. Foi uma das piores crise que o Brasil e os outros países enfrentaram”, acrescentou Fonseca. Na comparação por semestres, a queda registrada neste ano no faturamento da indústria foi de 7,7% em relação ao ano passado. Os números mostram ainda que o uso da capacidade instalada passou de 79,8% para 79,3% de maio para junho. A queda foi maior em relação a junho de 2008, quando o índice foi de 83,2%.

No mês, as horas trabalhadas aumentaram 0,2% em relação a maio, mas caíram 9,5%, se comparadas a junho do ano passado. No semestre, o setor acumula queda de 8,4% no total de horas trabalhadas. O índice praticamente voltou ao mesmo patamar de 2006. A queda na ocupação acaba afetando a massa salarial que registrou recuo de 2,9% em relação a junho do ano passado e, no semestre, acumula baixa de 1,7%, comparando-se com igual período de 2008.

“A expectativa é que o ajuste chegue ao final na questão de redução do emprego. Só que o emprego demora a responder. Ele demorou a cair no início da crise. A expectativa é que haja uma estabilidade nos próximos meses”, disse Fonseca. Uma queda na massa salarial significa para a CNI que pode haver redução no consumo e que isso se refletiria no crescimento do mercado interno.

Ele acredita, porém, em uma recuperação agora no segundo semestre devido às vendas de fim de ano, que tradicionalmente representam um incremento ao setor. Para o economista, os efeitos da crise estão acabando e deve haver recuperação. Fonseca descarta, porém, que haja uma compensação das perdas que o país sofreu do início da crise até agora e não quis anunciar quais setores poderiam puxar a recuperação do setor industrial.

“Acredito que isso vai acabar chegando aos eletrônicos [por exemplo], um setor que ainda mostra queda muito forte, e aos demais setores da indústria. É muito difícil prever qual setor seria o carro-chefe dessa recuperação”, concluiu. (Agência Brasil – Daniel Lima)