Brasília – O superávit primário do setor público chegou a R$ 3,376 bilhões em junho, o pior resultado para o mês desde 2003 (R$ 1,686 bilhão). No primeiro semestre, o resultado foi de R$ 35,255 bilhões, o menor valor desde o primeiro semestre de 2002 (R$ 31,903 bilhões), segundo dados divulgados hoje (29) pelo Banco Central (BC). O superávit primário é a diferença entre as receitas e as despesas, sem considerar os gastos com pagamentos de juros da dívida pública e representa a economia que o país faz para honrar seus compromissos financeiros.
O valor do superávit primário de janeiro a junho corresponde a 2,44% do Produto Interno Bruto (PIB), soma dos bens e serviços produzidos no país. No mesmo período do ano passado, esse percentual era de 5,86%. A meta para esse indicador neste ano foi alterada pelo governo de 3,8% para 2,5% do PIB. O governo também tirou a empresa estatal Petrobras dos cálculos do superávit primário. O objetivo dessas mudanças foi aumentar a capacidade de gastos e investimentos em meio à crise financeira internacional.
Segundo nota do BC, a redução do superávit primário vem refletindo o desempenho menos favorável da arrecadação em 2009, decorrente da queda do nível de atividade e das medidas de estímulo à economia, com redução de tributos, para fazer frente à crise.
No mês passado, o Governo Central (União, Banco Central e Previdência) teve déficit primário de R$ 1,137 bilhão e no acumulado do ano, superávit de R$ 20,949 bilhões. Os governos regionais (estaduais e municipais) registraram superávit primário de R$ 2,523 bilhões no mês passado e R$ 15,320 bilhões de janeiro a junho. No acumulado do ano, os governos estaduais contribuíram para o resultado com superávit primário de R$ 14,142 bilhões e os municipais com R$ 1,178 bilhão.
Em junho, as empresas estatais tiveram superávit primário de R$ 1,989 bilhão, já sem contar com a Petrobras. No acumulado do ano, o resultado é de déficit primário de R$ 1,015 bilhão, por conta do resultado negativo das federais (R$ 2,740 bilhões) e positivo das estaduais (R$ 1,544 bilhão) e municipais (R$ 182 milhões).
Ao serem incluídos os gastos com juros, tem-se o resultado nominal. Em junho, foi registrado déficit nominal de R$ 10,130 bilhões, pior da série histórica do BC, iniciada em 2001. No no primeiro semestre de R$ 43,682 bilhões, valor que corresponde a 3,02% do PIB. O valor registrado no seis meses do ano também é o pior da série. Em junho do ano passsado, o déficit nominal foi de R$ 6,805 bilhões e no primeiro semestre de 2008 de R$ 7,180 bilhões.
Em junho, os gastos com juros nominais da dívida chegaram a R$ 13,506 bilhões, o melhor desde o mesmo mês de 2007 (R$ 10,846 bilhões). Nos seis primeiros meses do ano, esse valor chegou a R$ 78,937 bilhões, o melhor desde o mesmo período de 2004 (R$ 62,005 bilhões). No ano passado, foi registrado gastos de R$ 17,128 bilhões em junho e de R$ 88,893 bilhões no primeiro semestre. (Agência Brasil – Kelly Oliveira)
