Brasília, 3/02/2009 – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, fez hoje (3) fortes críticas quanto à reação do Banco Central à crise financeira internacional, que ele classificou de “atrasada”. “O BC vem dançando em um ritmo em que a música está sempre na frente”, afirmou Monteiro Neto. Segundo ele, a política monetária brasileira não está dando conta dos efeitos da crise sobre o setor produtivo e isso pode trazer “conseqüências graves para a economia brasileira”.
Para Armando Monteiro Neto, é possível que o Banco Central reduza a taxa de juros para “um dígito em um prazo curto”. “Há espaço para que isso seja feito de forma absolutamente responsável, sem comprometer a estabilidade monetária e de controle da inflação. Há espaço para ainda nesse semestre nós chegarmos aí a uma taxa de um dígito”, disse.
Entre as medidas apontadas pelo presidente da CNI para ajudar a superar a crise, também estão apressar o pacote para a construção civil, que já foi anunciado pelo governo, e criar uma agenda emergencial para o setor exportador. “Precisamos de uma agenda que combine desoneração das exportações, já que ele [o setor exportador] ainda é onerado com créditos tributários que não podem ser realizados. O setor ainda padece de uma forte burocracia, complexidade nos procedimentos e até dificuldade de financiamento. É preciso também priorizar acordos bilaterais que, de alguma maneira, facilitem o acesso de produtos brasileiros a mercados importantes”, cobrou Monteiro Neto.
O presidente da CNI também demonstrou preocupação com o “custo social” da crise. “Nesse momento a questão política é uma questão menor. O que nós precisamos é cuidar para que esse quadro de desemprego na indústria não se agrave e com ele os indesejáveis efeitos que isso proporciona à vida das pessoas e das empresas. Isso pode sobretudo acarretar uma queda mais acentuada da atividade econômica, ou seja, aquele ciclo: cai a renda, cai o consumo e cai a produção”, afirmou.
Sobre os índices de popularidade do presidente Lula, divulgados hoje na pesquisa CNT/Sensus, Monteiro Neto avaliou que eles são resultado de dois fatores. Segundo ele, as pessoas ainda não sentiram efetivamente os efeitos da crise. Associada a isso, na opinião do presidente da CNI, está a boa comunicação do presidente Lula que “fala de maneira muito próxima à população”. (Agência Brasil – Mariana Jungmann)
