São Paulo, 28/01/2009 – O agravamento da crise internacional reduziu em 25% o faturamento da indústria brasileira de bens de capital. De acordo com o balanço divulgado hoje (28) pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor, que em setembro havia faturado R$ 8,3 bilhões, começou a ter resultados negativos a partir de outubro e, em dezembro, faturou R$ 6,2 bilhões – R$ 2,1 bilhões a menos que em setembro.
Segundo Carlos Pastoriza, um dos diretores da Abimaq, a crise aumentou a desconfiança dos empresários e reduziu o crédito disponível no mercado. Esses dois fatores tiveram forte impacto nos negócios do setor e acabaram reduzindo os ganhos significativos acumulados ao longo de 2008.
“Nós vínhamos em um momento muito de crescimento e, de repente, todo o investimento foi paralisado”, disse ele a jornalistas. “Como vendemos máquinas e máquinas são investimentos, vimos uma mudança nos resultados”, disse, em entrevista coletiva na sede da entidade.
De acordo com o diretor da Abimaq, segmentos da indústria de bens de capital que vinham se destacando pelo crescimento robusto registraram uma forte queda no faturamento a partir de setembro. O setor de máquinas agrícolas, por exemplo, reduziu em 28,8% o seu faturamento; e o de bens sob encomenda, 26,6%.
Carlos Pastoriza disse ainda que a crise impossibilitou o cálculo de qualquer projeção para o ano que vem. E que a entidade chegou a trabalhar com expectativa de 10% de crescimento em 2009, porém terá que rever todas as perspectivas devido ao aprofundamento dos efeitos da crise, principalmente, sobre o crédito.
“A crise de financiamento está causando uma crise econômica no país”, afirmou, ao lembrar que a Abimaq já solicitou ao governo medidas que garantam empréstimos para que as empresas tenham capital de giro e, assim, a economia possa voltar a girar.
Sondagens realizadas pela Abimaq mostram uma redução de 38,9% no valor de novos pedidos feitos às indústrias associadas na comparação entre setembro e dezembro. Também revelam projeções de redução de 19% nas vendas do setor na comparação com o último trimestre de 2008 contra o primeiro trimestre de 2009.
Para Carlos Pastoriza, apesar da crise, o balanço final de 2008 foi “extraordinário”. De janeiro a dezembro, o setor faturou R$ 78 bilhões, registrando crescimento real (descontado o percentual de inflação) de 21,6%. “Os resultados são excelentes, mas só estamos vendo o que já passou. Nós estamos preocupados é com o futuro”, afirmou o diretor da Abimaq. (Agência Brasil – Vinícius Konchinski)
