Rio de Janeiro, 19/01/2009 – O consumo de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN) aumentou 2,8% no ano passado. O resultado ficou abaixo da expectativa do governo em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma das riquezas produzidas no país. No início deste mês, o Banco Central divulgou estimativa de 5,5% de crescimento para o PIB em 2008.
O dado consta do Boletim de Carga Anual, divulgado hoje (19) pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O resultado foi influenciado pela participação do consumo do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste na carga total, equivalente a 60%.
Segundo a Gerência de Previsão e Acompanhamento de Carga do ONS, o comportamento da carga em 2008 deve levar em consideração não apenas os 12 meses do ano, mas também o período acumulado de janeiro a setembro. De janeiro a setembro de 2008, a economia brasileira cresceu 6,2%, devido ao aumento da demanda interna e das exportações. No entanto, a carga de energia elétrica do SIN não acompanhou o aumento do PIB com igual intensidade no mesmo período, apresentando elevação de 3,4%.
O baixo desempenho do consumo de energia foi pressionado principalmente pelo Subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que aumentou 3,1% de janeiro a setembro. Também influenciaram de forma desfavorável o crescimento da carga de energia a ocorrência de temperaturas amenas durante boa parte do ano e o elevado preço da energia elétrica no mercado de curto prazo nos primeiros meses de 2008. Isso inibiu a produção adicional de setores industriais mais intensivos em energia elétrica.
De acordo com o ONS, o baixo crescimento da carga foi pressionado também pelo maior uso da geração térmica no ano. Embora tenha havido recuperação no consumo de energia a partir de junho, quando a média de crescimento mensal subiu de 2% para 5%, o agravamento da crise financeira internacional terminou afetando o ritmo de produção da atividade industrial. A incerteza diante da crise e o comportamento da economia brasileira e da internacional levaram algumas empresas a conceder férias coletivas aos empregados e a fazer paradas técnicas não programadas, o que também contribui para reduzir o consumo de energia.
No ano passado, o Subsistema Norte foi o que registrou a maior carga de energia (4,1%), seguindo-se os subsistemas Sul (3,5%), Nordeste (3,2%) e Sudeste/Centro-Oeste, com 2,3%, mais baixa que a apurada nos anos anteriores.
O boletim do ONS revela ainda que a carga máxima no Sistema Interligado Nacional ocorreu em setembro de 2008, quando a demanda instantânea alcançou 65.586 megawatts. O aumento foi de 1,9% sobre 2007, quando a carga máxima foi observada em março. (Agência Brasil – Alana Gandra)
