Rio de Janeiro, 12/12/2008 – O setor siderúrgico vive, atualmente, um momento de expectativa. Dados acumulados até outubro mostravam melhorias no desempenho em relação ao ano passado. Mas, a percepção do empresariado é que a partir de novembro começou a ocorrer uma desaceleração acentuada, informou hoje (12) à Agência Brasil o vice-presidente executivo do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Marco Polo de Mello Lopes.
Ele observou, porém, que o ano de 2008 ainda deverá fechar positivo. “Por mais que em dezembro você tenha a manutenção dessa tendência de desaceleração, o ano de 2008, como um todo, foi muito bom para o setor”. Apesar disso, Lopes afirmou que as metas estabelecidas não serão alcançadas.
O IBS efetuou correções nas projeções feitas em agosto passado, mas o vice-presidente executivo da entidade alertou que elas não são definitivas e poderão sofrer novos ajustes. O crescimento previsto agora para a produção de aço bruto é de 1,1% em relação a 2007.
“Estamos falando em 34 milhões de toneladas, quando chegamos em agosto a estimar uma produção de 36,3 milhões de toneladas. Se pegarmos laminados, estamos falando numa queda em torno de 4% a 4,1%”, disse Lopes. Isso significa uma produção de laminados de 24,8 milhões de toneladas, contra 26,2 milhões, estimadas em agosto.
“O ano ainda fecha de maneira positiva em relação a 2007. Mas, 2009 é um grande ponto de interrogação”, disse Lopes. Essa incerteza é provocada pela crise financeira internacional, que abalou os principais setores consumidores de aço no país, que são o automotivo, a construção civil e o de equipamentos, que representam mais de 70% do consumo nacional de aço. Diante disso, as usinas estão antecipando as paradas de alguns equipamentos.
“Então, você tem altos-fornos que iam parar para manutenção em 2009 e 2010 e estão tendo antecipação, como Usiminas, Açominas, Arcelor Tubarão, Arcelor Mittal, Valorec”, assinalou Lopes.
De acordo com o vice-presidente executivo do IBS, o abastecimento do mercado doméstico continua sendo “prioridade absoluta” para as usinas. Isso foi determinante para definir o plano de expansão das empresas, que soma investimentos de US$ 39,9 bilhões até 2013, objetivando acrescentar 15 milhões de toneladas à capacidade instalada do setor. Ele advertiu que agora, diante da crise, esses programas de investimento deverão sofrer algum tipo de reavaliação.
O plano de expansão está inserido numa visão de sustentabilidade. “A gente acha que, a longo prazo, vai ter a manutenção [dos investimentos]. Tudo sob a ótica de meio ambiente, da sustentabilidade, que é uma visão que você tem para a frente, como os investimentos em educação e treinamento, que representaram R$ 7,9 milhões, para desenvolvimento profissional [R$ 65,6 milhões], investimentos em iniciativas sociais privadas [R$ 367 milhões]. Isso tudo continua, dentro de uma previsão de médio e longo prazo.”
No que diz respeito aos programas de aumento de capacidade instalada, os investimentos estão atrelados à melhoria do desempenho do mercado interno que, nesse momento, passa por um processo de desaceleração, acentuou. (Agência Brasil – Alana Gandra)
