Brasília, 10/06/2008 – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, avaliou como “muito positivo” o resultado do PIB do primeiro trimestre, de crescimento de 5,8% na comparação com o mesmo período de 2007, segundo divulgou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Monteiro Neto alertou, porém, que o aperto na política monetária coloca em risco os resultados do segundo semestre de 2008, em especial o desempenho da indústria, que dificilmente repetirá o mesmo ritmo do início do ano (crescimento de 6,9% sobre os três primeiros meses do ano passado).
“O resultado foi muito positivo. Os dados correspondem mais ou menos à nossa expectativa de que esse número ficaria entre 5% e 6%. E reflete também uma forte contribuição do setor industrial”, disse. O presidente da CNI destacou, além da contribuição da indústria de transformação, o crescimento da construção civil, impulsionada pela expansão do crédito imobiliário. Ele citou ainda como motores do crescimento o consumo das famílias, fortalecido pela melhora nos empregos e pelo aumento real dos salários, e o consumo do governo, que vem aumento os gastos públicos.
Para Monteiro Neto, o segundo trimestre do ano continuará sendo um período de crescimento forte. “No entanto, esse aumento na taxa de juros (o Comitê de Política Monetária aumentou a Selic em duas reuniões seguidas, para 12,25% ao ano) certamente vai implicar numa desaceleração da atividade econômica no segundo semestre, ainda que não seja numa intensidade que comprometa o desempenho da economia em 2008”, avaliou o presidente da CNI. A instituição prevê um crescimento de 5% do PIB neste ano.
Além do aperto monetário, o real sobrevalorizado (em grande medida em função dos juros) já está causando dificuldades ao setor industrial. “Está havendo um aumento significativo das importações, que poderá fazer uma parte da produção nacional se deslocar. E as exportações, sobretudo em algumas áreas de manufaturas, estão perdendo o fôlego. Tudo isso nos indica a possibilidade de que no segundo semestre a economia brasileira vai crescer menos”, analisou Monteiro Neto.
O presidente da CNI não acredita, no entanto, que o aumento dos juros vá fazer os investimentos caírem significativamente, porque os investidores analisam as condições macroeconômicas no longo prazo. “Achamos que ainda teremos um crescimento elevado na taxa de investimento, mas não um resultado de 18,3% como tivemos no primeiro trimestre, mas ainda significativamente maior do que na taxa de crescimento da economia”, afirmou. “Isso é muito importante, porque poderemos garantir o crescimento nos próximos anos. O investimento de hoje é o produto de amanhã”, finalizou.
Agência CNI
