Brasília, 5/06/2008 – A alta de 0,5 ponto percentual da taxa básica de juros, determinada hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, não surpreendeu a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na avaliação dos técnicos da CNI, trata-se da implementação da decisão tomada anteriormente de promover a retomada de uma política monetária contracionista.
A CNI entende que a alta recente da inflação no Brasil – que se dissemina no cenário internacional, em especial nos países emergentes – não será contida com a elevação dos juros. As pressões, que se originam preponderantemente dos preços internacionais dos alimentos e das commodities, estão obviamente a salvo do alcance da política monetária doméstica, o que exige outros instrumentos para o controle da inflação.
A CNI há muito clama por maior coordenação da política econômica no controle da inflação, com a adequação da política fiscal às necessidades da estabilidade. As indicações mais recentes de elevação do superávit primário constituem um avanço que melhora a qualidade da política macroeconômica. De todo modo, para ser mais efetiva no combate à inflação, a proposta deve concentrar-se na contenção do gasto público, que cresce excessivamente. A oficialização do aumento na meta de superávit primário seria uma clara indicação da perenidade do esforço.
Sem maior contribuição da política fiscal, o ciclo virtuoso de crescimento pode vir a ser comprometido, acredita a CNI. A alta excessiva dos juros anula os efeitos positivos de políticas de estímulo à produção – pois encarecem o financiamento para investir na produção; e a conseqüente valorização do real reduz a competitividade dos produtos nacionais. Ambos conduzem ao menor crescimento.
Agência CNI
