Para economista da FGV, aumento da Selic foi decisão preventiva

 

Rio de Janeiro, 16/04/2008 – Na avaliação do economista Salomão Quadros, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de aumentar para 11,75% a taxa básica de juros foi cautelosa e preventiva, ante a possibilidade de elevação da inflação.

“Acho que é uma atitude correta. Talvez, pudesse até esperar um pouquinho para ver se realmente a inflação está acelerando. Mas, do ponto de vista da autoridade monetária, acho que ela está sendo cauteloso. E se a inflação voltar a cair, pode ser mais rápido esse ciclo”, apontou.

Para o economista, a alta de 0,50 ponto percentual definida pelo Copom pode ser um primeiro movimento ascendente da taxa Selic, após um período de redução (desde maio de 2005, a Selic não sofria reajuste). Quadro considerou, entretanto, que a medida não terá nenhum impacto imediato.

Ninguém espera, porém, que o Copom vá ficar somente nesse corte, advertiu o economista do Ibre. Ele estima que, de agora em diante, nas próximas reuniões, o Copom poderá continuar a aumentar os juros até chegar a 1,5 ponto percentual.

Num cenário de elevação dos juros, pode se esperar algum efeito de valorização na taxa de câmbio e também no juro do crédito, de acordo com Quadros. “Porque toda vez que a taxa Selic sobe, o juro do crédito também acompanha”, exlicou.

Ele estimou que haverá conseqüências também para o investimento, que está crescendo hoje a uma taxa entre 10% a 12% ao ano. “Pode ser que o investimento dê uma ligeira esfriada”, avaliou.

Quadros argumentou que o Banco Central não quer provocar nenhuma grande desaceleração na economia, ao aumentar a Selic. “O Banco Central tem que manter a inflação dentro da meta. Acho que ele está vendo a inflação aumentar, embora eu acredite que ela não vai aumentar muito mais do que isso. Mas, também, não posso garantir que ela já parou de subir. Então, como ele está muito preocupado em não deixar que a inflação escape muito do centro da meta, alguma coisa teria que fazer”.

 

 

 

 

 

Agência Brasil – Alana Gandra