Tóquio, 13/03/2008 – O governador do Rio Sérgio Cabral atuou em duas frentes, nesta quinta-feira (13/03), em sua missão de governo e empresarial no Japão: além de reivindicar investimentos para o estado, agiu como um porta-voz informal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de, na noite de quarta-feira, já no Japão, falar ao telefone com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, Cabral endureceu o discurso e passou a cobrar reciprocidade ao Brasil após a escolha do modelo de TV digital japonês.
A postura do governador casa com o seu interesse por novos investimentos no Rio e com o do presidente Lula, de distribuir investimentos pelo país. A atitude mais firme é, ainda, uma mensagem direta aos japoneses, cujo interesse nacional é vender ao Brasil o projeto do trem-bala que ligará o Rio a São Paulo. Cabral foi explícito:
– Conversei com a ministra Dilma e pude compartilhar o sentimento de frustração quanto à falta de reciprocidade à adoção do padrão de TV digital japonês. Como contrapartida, a Toshiba ficou de instalar no Brasil uma fábrica de semicondutores e não cumpriu o trato. Estive com a direção da Toshiba na quarta-feira, aqui em Tóquio, e eles me confirmaram a desistência. Isso, de certa forma, causa prejuízos para o projeto japonês do trem-bala – disse. As declarações foram feitas em cada reunião desta quinta-feira (13/03) com os executivos da Sumitomo, Mitsui, Mitsubishi Heavy Industries e da Japan Railway – todos interessados em demonstrar seus projetos para o trem de alta velocidade. O governador fez ainda um anúncio e uma sugestão. O anúncio é o de que a ministra Dilma lhe informou que estará em abril no Japão para tratar dessa reciprocidade. A sugestão é uma receita para o projeto do trem-bala japonês recuperar fôlego junto ao governo brasileiro.
– A tese é agregar valor. No que diz respeito, por exemplo, ao trem-bala, todo projeto apresentado ao Brasil que agregue valor e leve mais tecnologia, mais instalação de plantas industriais e, portanto, mais investimentos será mais bem-vindo – disse Cabral.
A resposta japonesa será percebida nos projetos que virão, mas, depois de ouvir Cabral na reunião com a direção da Mitsui, o presidente da corporação, Shoei Utsuda, admitiu que o Japão poderia ser mais ativo no Brasil:
– Compartilho o sentimento de que o Japão não está investindo no Brasil o volume que poderia – disse Utsuda.
Na tarde de quinta-feira (13/03), o governador Sérgio Cabral foi recebido pelo príncipe herdeiro Naruhito, no Palácio Imperial, em Tóquio.
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