São Paulo, 24/01/2008 – Para o presidente da ABINEE, Humberto Barbato, a morosidade do governo em implementar uma política industrial está provocando a perda sistemática de competitividade das empresas instaladas no país.
Segundo ele, o medo de subsidiar a atração de investimentos produtivos pode gerar a perda de bases industriais no Brasil. “Por puro pudor não oferecemos as condições necessárias para a atração de novas empresas, diferentemente do que ocorre em outros países em desenvolvimento”, diz Barbato.
Ele cita o exemplo da China que tem incentivado fortemente empresas transnacionais a instalarem suas plantas em seu território. Segundo Barbato, os chineses oferecem vantagens que vão desde incentivos fiscais e tributários, até mão-de-obra especializada, fruto de um grande investimento em educação. O modelo está dando os resultados já conhecidos e os produtos chineses ganham, cada vez mais, o mercado mundial, reduzindo a nossa capacidade de competir, até mesmo no mercado local.
“Os chineses são os grandes fornecedores de componentes eletroeletrônicos para o Brasil, especialmente semicondutores, produto que deixamos de fabricar no início da década de 90, por total falta de incentivo”, diz Barbato.
Segundo ele, além da falta de uma política industrial, as empresas instaladas no país sofrem, também, com o desequilíbrio cambial, com a carente infra-estrutura, com a ultrapassada legislação tributária, com a política de juros inadequada e com a arcaica legislação trabalhista. “Hoje, a perda de competitividade é demonstrada pela crescente importação de produtos acabados, que poderá trazer sérios problemas num futuro próximo”, completa o presidente da ABINEE.
Nos próximos dias, Humberto Barbato estará com o ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, para, mais uma vez, tratar de política industrial.
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