Brasília, 6/12/2007 – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, firmaram hoje, em Brasília, acordo para trabalharem juntas em programas de ensino, de pesquisa e de extensão para o desenvolvimento de tecnologias aplicáveis à indústria e a formação de pessoal qualificado para o setor.
Assinado pelo presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, e pelo presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, o protocolo de intenções prevê apoio a grupos de pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Serviço Social da Indústria (SESI) e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), ligados à CNI, apoio a programas de pesquisa entre grupos brasileiros e estrangeiros e o financiamento de intercâmbio de professores e bolsas de estudo para alunos no exterior.
O protocolo contempla ainda o apoio a parcerias universitárias binacionais, apoio a parcerias das entidades da indústria com universidades estrangeiras e a concessão de recursos a eventos de caráter científico, tecnológico e cultural, de pós-graduação e de pesquisa com abrangência nacional e internacional.
A complementação da formação de doutores e o apoio a mestrado e doutorado promovidos pelas entidades para a manutenção de padrões de excelência adequados à formação dos recursos humanos de alto nível para a indústria brasileira, também fazem parte do protocolo, que tem validade de cinco anos.
O presidente da CNI lembrou que inovação é a palavra do momento. "O país precisa redobrar esforços e apressar o passo na direção de um desenvolvimento tecnológico mais denso e intensificar o ritmo de inovação, para que seu crescimento seja sustentável e duradouro. O futuro é construído com talento e tecnologia", disse Armando Monteiro Neto.
O ministro da Educação argumentou que o Brasil tem uma "necessidade imperiosa" de qualificar os trabalhadores. "A velha educação do trabalhador deve dar lugar à nova educação, à nova qualificação do trabalhador", afirmou. O ministro lembrou que o país é o 15º no mundo na produção científica, mas apenas o 52º em educação básica. "Temos então duas tarefas: a primeira é levar a boa formação da educação superior para a educação básica; a segunda é levar à indústria a formação científica", resumiu.
Haddad lembrou que a empresa que investir em pesquisa e desenvolvimento junto a universidades e centros de pesquisas poderá abater até 85% do valor investido dos impostos a serem pagos. E que, se a empresa abrir mão dos royalties dos produtos gerados, ainda poderá abater os 15% restantes.
Guimarães afirmou que a Capes tenta transformar a capacidade de geração de conhecimento científico dos professores e pesquisadores associados em aplicações práticas. "Nós vislumbramos a possibilidade de atuar mais com o setor industrial na área tecnológica, sobretudo nas engenharias", afirmou. Segundo o presidente da instituição, o que o protocolo assinado hoje tem de diferente em relação a outras tentativas de aproximação entre universidade e empresa é que ele orienta os pesquisadores a trabalharem em áreas de interesse da indústria.
Para o superintendente do IEL, Carlos Cavalcante, é fundamental o desenvolvimento de programas que aproximem o formando universitário da indústria. "É importante que se criem canais que facilitem esse processo. O que se está discutindo aqui é quais são os caminhos que podem viabilizar a produção de conhecimento a partir desse grupo de pessoas altamente qualificado que está saindo das universidades brasileiras em benefício de ações de interesse da indústria", argumentou Cavalcante.
Agência CNI
