Brasília, 26/09/2007 – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou para cima as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da indústria neste ano. Baseados no bom desempenho da indústria no segundo trimestre, os técnicos da CNI destacam, no boletim Informe Conjuntural, que, a indústria, em especial a de transformação, será o carro-chefe do crescimento no segundo semestre.
Na avaliação da CNI, a demanda externa por produtos de grande peso na pauta de exportações brasileiras e o contínuo aumento da demanda interna ajudarão o Brasil a crescer 4,7% neste ano. A estimativa anterior, divulgada em julho, era que o PIB cresceria 4,5%. A revisão divulgada hoje no boletim Informe Conjuntural é a segunda no ano. Em janeiro, a expectativa era que o PIB teria expansão de 4,2%.
O PIB industrial deverá crescer 4,4% em 2007. A estimativa anterior, feita em julho, era de alta de 4%. Os técnicos da entidade lembram ainda que o bom momento está presente na maioria dos setores industriais e que um em cada quatro cresce a um ritmo de dois dígitos.
A CNI projeta um crescimento de 4,3% para a indústria de transformação. A contribuição do segmento para a formação do PIB global deve ser de 0,8 pontos percentuais. A projeção para a indústria extrativa mineral é de 5%, com uma contribuição de 0,2 pontos percentuais para o PIB global. O setor da construção civil deverá crescer 4,5%, com uma contribuição de 0,2 pontos percentuais para o PIB global. Os serviços industriais de utilidade pública deverão crescer 4,2% ante 2006, contribuindo com 0,2 pontos percentuais para o PIB.
INFLAÇÃO – O Informe Conjuntural da CNI alerta, no entanto, que a manutenção do ritmo de crescimento da indústria nos próximos anos não está garantida. "O principal fator que se destaca como potencial limitador do crescimento é o aumento recorrente das taxas de inflação a partir de abril", escrevem os técnicos da CNI. "Essa pressão abre a possibilidade para o Comitê de Política Monetária (Copom) interromper a trajetória de queda de juros, o que pode restringir a expansão do crédito e contrair a demanda, em especial de bens de maior valor agregado", complementam.
De acordo com os técnicos da CNI, parte da forte expansão da demanda interna baseia-se numa política fiscal bastante expancionista, e essa contradição leva a um aperto monetário maior do que seria necessário. As despesas do governo crescem a um ritmo de 10% ao ano em 2007, lembram os técnicos.
Os Indicadores Industriais de julho mostraram que a utilização da capacidade instalada aumentou 2 pontos percentuais ante o mesmo mês do ano passado e atingiu 82,5%. Contudo, os economistas da CNI não vêem nisso um problema de restrição da demanda, uma vez que a taxa de investimentos cresceu 13,8% no segundo trimestre deste ano ante igual período de 2006, e o consumo aparente de máquinas e equipamentos, calculado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) cresceu 19,5% no mesmo período. "Há indícios claros de crescimento da capacidade produtiva no Brasil, o que reduz os eventuais riscos de restrição à oferta de produtos a médio prazo", explicam os técnicos da CNI.
Agência CNI
