São Paulo, 12/09/2007 – O crescimento percentual do investimento no país bastante superior ao dos gastos das famílias e do governo mostra um crescimento econômico equilibrado, indica que a produção de bens e serviços está se antecipando ao consumo futuro. Foi o que destacou hoje (12) à Agência Brasil o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira, sobre os dados do Produto Interno Bruto (PIB), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). O economista também destacou o crescimento registrado na construção civil.
“O destaque que eu faria é para o comportamento dos investimentos. A formação bruta de capital fixo, que cresceu de maneira significativa, trimestre a trimestre do ano anterior, cresceu 13,8%. Este é um destaque positivo, que mostra um crescimento mais equilibrado da economia, na medida em que o investimento passa a crescer à frente das variáveis de consumo. O consumo das famílias, na mesma base de comparação, cresceu 5,7% e o do governo 3,4%”, informou.
O economista pôs em relevo também o crescimento da construção civil, que na comparação sazonal crescera 2,5% no primeiro trimestre. “Neste ano havia uma expectativa de que o setor tivesse um crescimento mais forte, estimulado até pela redução da taxa de juros, com a expansão da atividade do comércio, lojas, shoppings e também em habitação, com aquecimento do mercado imobiliário. E isso ainda não tinha sido visto no primeiro trimestre. Mas finalmente, no segundo trimestre, houve o crescimento, também na mesma base, segundo trimestre (2007) contra trimestre (2006) cresceu 6,3%, o que mostra que provavelmente o setor da construção civil está entrando em cena e isso é importante para dar sustentação à recuperação da economia”. A construção civil acumula um desenho anual de 4,4%.
Para Pereira, é a expansão do crédito, com a redução dos juros e a ampliação dos prazos de pagamento, que explica esse crescimento. Na indústria, com o aumento de vendas de automóveis e bens duráveis e, na construção civil, dos imóveis. “Na base de recuperação dos dois setores está o mesmo fator, que é a ampliação do crédito. É exatamente essa expansão dos prazos de financiamento. (…) É a cota da particiapção do valor da prestação na renda corrente que é a variável que o consumidor leva em conta para garantir a sua aquisição. Com a ampliação dos prazos de pagamento esse valor cai”, diz.
Agência Brasil – Paulo Montoia
