Valorização cambial resulta de fortalecimento da economia, aponta estudo

 

São Paulo, 28/06/2007 – A Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) divulgou hoje (27) pesquisa que conclui: a apreciação cambial não pode ser explicada pela taxa de juros e resulta do fortalecimento da economia nos últimos quatro anos.

 

 

Segundo o estudo, a apreciação não é exclusividade do real e vem acontecendo com outros países emergentes. No Brasil, ocorre em maior escala porque a economia está melhorando com mais rapidez. “Portanto, não dá para culpar a Selic pela apreciação do real. Aliás, nos últimos dois anos estamos vendo o inverso acontecer. A taxa Selic caiu de quase 20% para 12% e os fundos americanos subiram de 1% para 5,25%. Ou seja, a diferença se espremeu entre uma taxa e outra e, ao contrário do que a teoria diz, o real se apreciou. Pela teoria o real deveria se depreciar se a diferença diminui”, disse o presidente da Sobeet, Luis Afonso Lima.

 

O estudo conclui ainda que, partindo do princípio de que a Selic não interfere na valorização cambial, não se deve esperar depreciação do real por conta da definição da meta de inflação de 4,5% em 2009. “Se a meta de 4,5% para 2009 permitir acelerar a redução da taxa Selic, a taxa de câmbio não deve ser afetada por isso”. Ele disse acreditar que mesmo com medidas mais agressivas do Banco Central o real não deve se depreciar.

 

Segundo Afonso, o que explica a desvalorização do dólar é a variação cambial de 12 meses atrás e o prêmio de risco do próprio mês, ou seja, o risco de um país expresso em taxa de juros. Ele explicou que uma das preocupações do estudo era a de determinar o que interfere no prêmio de risco. De acordo com o presidente da Sobeet, três variáveis – uma de solvência interna e duas de solvência externa – explicam em grande parte o prêmio de risco, que por sua vez explica a variação do câmbio.

“O prêmio de risco é explicado pelos fundamentos que expressam a solvência interna e mais especificamente a variável dívida líquida do setor público sobre o Produto Interno Bruto (PIB). Com relação à solvência externa, dois fundamentos que interferem no prêmio de risco: as reservas internacionais sobre a dívida externa e dívida externa sobre exportações”, disse.

 

 

 

 

 

Agência Brasil – Flávia Albuquerque