Brasília, 5/02/2007 – Reduzir os juros e garantir que o custo capital esteja num patamar compatível com o dos concorrentes internacionais são questões pontuais para garantir, em 2007, o desenvolvimento e o crescimento sustentado do país. A afirmação é do Gerente Executivo de Políticas Econômicas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Segundo ele, algumas medidas adotadas ao longo do ano passado, como queda nos juros, não foram suficientes para provocar uma reação maior na indústria. “Há outras restrições que impedem o crescimento da economia brasileira, a infra-estrutura deficiente, a burocracia excessiva, a regulação das empresas que não é a mais adequada e a carga tributária muito elevada. O governo gasta demais, extrai muito da sociedade e investe pouco, por isso nós crescemos pouco”, afirmou Castelo Branco.
De acordo com os Indicadores Industriais divulgados hoje pelo economista da CNI, a atividade industrial encerrou o ano de 2006 em recuperação. A pesquisa mostra que as vendas reais da indústria cresceram 2,92% em dezembro em comparação a novembro, na série livre de influências sazonais. No ano, a expansão foi de 1,72% em comparação com 2005. “O crescimento é explicado pela venda de produtos que têm preços excepcionais no mercado internacional e pelo crescimento da economia mundial. Para 2007, a expectativa é termos um crescimento moderado, mais forte que 2006”.
Segundo Castelo Branco há espaço para o setor privado investir mais em 2007 contribuindo para um ambiente de crescimento. “Se houver um ambiente mais favorável, mais amigável, preços macroeconômicos com taxa de câmbio, juros e carga tributária mais adequada, com certeza o setor privado irá reagir positivamente e aumentar seus investimentos”, lembrou. O economista disse que o Plano de Aceleração do Crescimento, divulgado no final de janeiro pelo governo federal, terá um impacto imediato relativamente pequeno. “Precisamos aumentar a taxa de investimento da economia, para isso, o setor público tem que fazer a sua parte já que investe pouco. Para investir mais precisa gastar menos com despesas correntes e isso não foi feito”, reforçou.
A adoção de políticas de incentivo são necessárias, segundo o economista, para garantir a continuidade da trajetória de crescimento registrada no ano passado. O emprego na indústria, por exemplo, registrou, em 2006, aumento de 2,21% em comparação ao ano anterior. As horas trabalhadas na produção também cresceram 1,80% em relação a 2005. Em dezembro, no entanto, os Indicadores Industriais apontem recuo de 0,69% em comparação a novembro. Historicamente o indicador apresenta queda expressiva em dezembro, de acordo com a pesquisa.
Os indicadores mostram ainda que as indústrias brasileiras operaram com 80,3% da capacidade instalada em dezembro, descontado o efeito sazonal. Na média do ano, o indicador de utilização da capacidade instalada foi de 81,8%. “O crescimento é resultado da redução dos juros, que propiciou aumento do crédito, massa de salários e câmbio. Porém, para crescer, a indústria precisa ser estimulada a investir e isso depende de medidas que começam com a desburocratização e redução da carga tributária”, concluiu o Analista de Políticas e Indústria da CNI, Paulo Mol.
Agência CNI
