Esta é a segunda parte da Série de Ano Novo do Comentário, hoje com perspectivas para 2018 no campo da diplomacia.
Em 2017 a Coreia do Norte aumentou a tensão internacional ao lançar, repetidamente, mísseis balísticos na direção do Japão. Dirigentes do Japão e dos Estados Unidos fizeram visitas oficiais ao país um do outro e confirmaram seu compromisso com o trabalho conjunto para lidar com questões da região Ásia-Pacífico. Hoje conversamos com Fumiaki Kubo, da Faculdade de Direito da Universidade de Tóquio, sobre os principais temas relativos a questões diplomáticas em 2018.
Kubo diz: "Acho que há vários riscos e fatores de incerteza. A situação na Coreia do Norte é a verdadeira preocupação do Japão. De uma perspectiva de médio e longo prazo, a crescente presença militar da China é outra preocupação. Uma investigação do FBI sobre o alegado conluio entre a campanha presidencial de Donald Trump e a Rússia poderá ser um fator causador de incertezas a partir dos Estados Unidos.
A relações nipo-americanas, seja entre os dirigentes ou a nível administrativo, estão atualmente numa fase boa. Por exemplo, a proposta lançada pelo Japão há um ano e intitulada "Estratégia Indo-Pacífica Livre e Aberta" foi revelada durante uma reunião de cúpula realizada entre o Japão e os Estados Unidos em novembro. Os Estados Unidos concordaram em participar. O objetivo da iniciativa é salvaguardar a ordem estável do mundo, principalmente a ordem marítima, com o envolvimento da Austrália e da Índia. Japão e Estados Unidos parecem ter alcançado um sólido consenso sobre o marco político, bem como sobre a direção que devem tomar.
O Japão e os Estados Unidos encontram-se num certo impasse a respeito das políticas mercantis. O Japão está agora tentando realizar a chamada Parceria Transpacífica 11, com o objetivo de criar um acordo de livre comércio envolvendo 11 países banhados pelo Oceano Pacífico, exceto os Estados Unidos. Isto aumenta a possibilidade de um possível atrito entre os dois países, mas eu acredito que eles farão esforços para evitar que o problema prejudique os laços bilaterais.
Os Estados Unidos anunciaram sua estratégia de segurança nacional no final de 2017, rotulando a China de competidora. A China é um país que busca alcançar seus objetivos pela força. Pequim vem fazendo reivindicações territoriais e aumentando a militarização no Mar da China Meridional. O governo dos Estados Unidos deduz que seus esforços para manter uma relação de confiança com a China fracassaram. Na perspectiva de médio e de longo prazo, os Estados Unidos estão criando um sentimento de desconfiança em relação à China.
O presidente Xi Jinping consolidou o controle do governo de seu país, o que parece permitir que Pequim adote abordagens flexíveis em relação ao Japão. Sob uma perspectiva de curto-prazo, é bom que os dois países melhorem seus laços, mas sob a perspectiva a médio e a longo prazo, é certo que a China será um fator que vai desestabilizar a ordem global. Também enfrentamos ameaças nuclear e de mísseis dos norte-coreanos. Por isso, é importante para o Japão manter uma aliança forte com os Estados Unidos. Para isso, o que o Japão realmente necessita é a política estável nos Estados Unidos.” (da NHK World)