O Estado brasileiro precisa deixar de ser o grande patrão, como é o perfil da atual estrutura econômica do país, para ser o indutor do desenvolvimento, abrindo perspectivas para que investidores se instalem e o país cresça mais rápido e diversifique suas potencialidades agrícolas, industriais e ecoturísticas.
Este foi o tom da palestra proferida pelo governador do Estado de Santa Catarina, João Raimundo Colombo, para mais de 150 empresários e executivos da Câmara, no dia 11 de setembro, em São Paulo.
“Não adianta mudar as pessoas ou o governo. Nós temos que mudar o modelo do Estado, mudar o sistema. É esse o debate que é uma oportunidade para que possamos crescer muito mais rápido, e sermos o que naturalmente queremos ser, uma potência. Este momento não é um momento negativo, é um momento difícil, mas um momento em que é uma oportunidade para corrigir aquilo que terá que ser corrigido”, disse Colombo. “O Estado brasileiro precisa se corrigir. Diminuir o custo da Previdência, estabelecer uma idade mínima como qualquer outro país fez”, acrescentou.
Num cenário de ajuste fiscal no contexto nacional, o governador destacou também o equilíbrio das contas públicas de Santa Catarina. Como uma das estratégias para manter a economia catarinense aquecida e a manutenção dos empregos no Estado, afirmou que os investimentos públicos serão mantidos em SC, e que só neste ano devem passar de R$ 3 bilhões, um "movimento anticíclico". E afirmou que o governo catarinense não aumentará impostos para combater a crise. "A democracia se sustenta em três pilares: a mobilização, a organização e a conscientização. Temos dois desafios: ajuste fiscal e reequilíbrio das contas. Outro problema, mudar o modelo do Estado, não apenas no seu curso, mas na melhoria de sua eficiência. E isto está próximo de acontecer. Por isso, o Brasil é um país do futuro. Nós vamos corrigir isso. Não há dúvida. Vai aparecer um modelo moderno de gestão, uma visão de Estado moderno, competitivo e contributivo com o desenvolvimento da sociedade. Isso vai acontecer. É essa a luta. Para isso precisamos de parcerias para serem sócios dessa parceria. Esse é o nosso desafio. Não é difícil. Temos que resolver. E quando todo mundo quer a mesma coisa, ela acontece. Basta que a gente acenda a luz e mostre o caminho. Precisamos ser criativos e melhores, mudar o modelo de Estado em busca da eficiência que a sociedade exige e merece. O caminho é este. Aumentar a eficiência, continuar a luta pela justiça social e remodelar o modelo do Estado para que ele contribua de forma muito clara pela eficiciência, pela competitividade e por justiça social".
O governador apresentou aos membros-associados da Câmara, durante 30 minutos, o perfil sócio-econômico do Estado e as potencialidades industriais, agroindustriais e turísticas, através dos eixos de desenvolvimento, e ressaltou que o seu governo, a médio prazo, está mudando o cenário econômico do Estado. “O governo tem uma política de aproveitar nossas potencialidades. Os investimentos garantidos em parceria com o governo federal em infraestrutura, como energia, estradas e portos, estão atraindo o empresariado. Santa Catarina tem proporcionalmente a força industrial, a tecnologia e a modernidade de São Paulo e também a beleza natural do Rio de Janeiro. Portanto, nós conseguimos unir os dois principais pólos de atração para investimentos no país O governo de Santa Catarina apoia muito os investimentos. Nós consideramos o maior aspecto social, maior contribuição social, a geração de empregos. A oportunidade de ascensão profissional. A estabilidade na família através das conquistas, que além do material, a conquista da liderança, do bem-estar, da dignidade do suor, a grandeza do trabalho, um exemplo às suas famílias. Portanto, o governo é importante, com incentivos fiscais fortes, e não é uma guerra fiscal, é uma política de aproveitar as nossas potencialidades, para que elas deem melhores resultados”, acrescentou Colombo.
Os membros da Câmara tiveram com o governador a oportunidade de conhecer melhor as ações do governo catarinense, especialmente a parceria com os japoneses. A consolidação do cultivo da maçã em São Joaquim, na Serra catarinense, teve na comunidade japonesa um papel central. O Japão é um dos principais compradores da carne suína produzida em Santa Catarina. A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) tem acordos de cooperação na área de saneamento ambiental com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), que também participou da elaboração do plano estadual de prevenção a desastres naturais. "O nome do Estado tem um fundo muito forte. Temos muito orgulho da parceria com o Japão. Parceria sólida, que mostra que quando a gente se une a gente alcança excelentes resultados. Há 50 anos nós não produzíamos nenhuma maçã. Era desconhecido por nós. Formamos uma parceria e hoje somos o maior produtor de maçã com maior sucesso. A gente não produzia aves. Recebemos conhecimento, informação e a vinda da (colônia) comunidade japonesa, somos os maiores produtores de aves do Brasil. Isso mostra que dá certo. O Japão ajudou em momentos importantes da nossa história. Santa Catarina tem sido afetada ao longo do tempo por catástrofes climáticas muito fortes. E foi no Japão que nós encontramos uma parceria importante em 2008. No momento crítico a JICA se colocou à inteira disposição, fez com nenhum custo para o Estado um plano importante de investimentos para enfrentar a questão das enchentes. Nós estamos executando este plano. É mais de 1 bilhão de reais para o governo do Estado em parceria com o governo federal para execução. Foi a JICA quem deu todos os ensinamentos. Eu fui ao Japão e a natureza foi tão bela e mostra como forma de nos aproximar, o rio que atravessa Tóquio tem o mesmo tamanho, o mesmo volume de água, os mesmos contornos que o rio Itajaí, que a gente enfrenta o maior volume de chuvas. E o Japão resolveu em 1910 os seus problemas. E nós estivemos lá e conhecemos toda essa experiência e nós estamos implantando aquele modelo. Isso é muito importante para o nosso povo. E eu quero em nome do povo de Santa Catarina prestar solidariedade ao Japão pelos problemas decorrentes de enchentes que está enfrentando neste momento. Nós em Santa Catarina teremos problemas no final de setembro, outubro e novembro. Outro problema é o de saneamento básico, 2 bilhões de reais de investimentos em 70 municípios e o governo japonês é nosso parceiro", disse.
"Quando assumi o governo em 2011, nós estávamos passando por um momento muito difícil num setor importante da nossa economia que é a produção suína. O Paraná tinha aumentado muito a sua produção. O governo russo tinha suspendido as compras, e, cerca de 70 mil famílias estavam vendendo produto muito abaixo do que produzia. E a forma que encontramos foi tentar abrir o mercado japonês, para exportarmos a carne suína. Santa Catarina é o único Estado do Brasil que é livre da febre aftosa, sem vacinação. Eu fui ao Japão e no governo japonês conversei com a ministra da Agricultura, que era de Aomori, nossa província irmã. Expliquei para ela todas as razões e era difícil de o Japão comprar de um Estado. Ele compra de um país. E só Santa Catarina tem esse status sanitário. Mas, com bons argumentos, conseguimos abrir o mercado. O preço da carne suína se regularizou. Nós passamos a exportar para o Japão, e milhares de famílias passaram a viver muito melhor. E hoje nós temos o que o Japão oferece: a estabilidade de preços. O Japão é um país muito estável. Eu diria, muito honesto. Ele assina contratos e cumpre, sem mudar as regras no meio. Fez com que nós estabelecêssemos a nossa produção e levássemos a todas as famílias esta segurança. O que eu quero dizer é que quando a gente consegue unir as forças, Santa Catarina e o Japão, e o Brasil também é claro, sou brasileiro, mas estou aqui como governador do Estado, nós conseguimos trazer excelentes resultados, de sucesso".
O presidente da Câmara, Toshifumi Murata, destacou as parcerias entre o Japão e Santa Catarina. "As parcerias entre Santa Catarina e o Japão se iniciaram na década de 1970, quando técnicos japoneses trazidos pelo Governo do Estado ajudaram na consolidação do cultivo da maçã em São Joaquim. Contribuíram ainda em outras culturas, como pêssego e kiwi, e na atividade pesqueira e madeireira. Mais recentemente, houve a abertura do mercado japonês para a carne suína do Estado. O intercâmbio econômico entre Santa Catarina e o Japão está se ampliando e se intensificando. Hoje o Japão está importando de Santa Catarina frangos, carne suína, suco de maçã, entre outros. Além de muitos outros fatores, o Estado é muito importante para a segurança alimentar do Japão".
O secretário-executivo de Assuntos Internacionais, Carlos Adauto Virmond, que também participou do encontro, destacou indicadores sociais e econômicos do Estado que são referência para o país. Lembrou que, em 2014, Santa Catarina foi o maior gerador de empregos no país (53.887 novas vagas), batendo inclusive o Estado de São Paulo, segundo dados do Ministério do Trabalho. Nas médias dos dois primeiros trimestres de 2015, o IBGE revelou também que o Estado apresentou as menores taxa de desemprego do país. No primeiro trimestre, SC registrou 3,9%, contra a média nacional de 7,9%. E no segundo, Santa Catarina manteve os 3,9%, enquanto a média nacional subiu para 8,3%.
A ONU avaliou os Estados brasileiros e apontou Santa Catarina como um dos melhores Estados do país para se viver e trabalhar. Maior sensação de segurança nas cidades (79,1%) e menor taxa de vitimização (17%). Menor taxa de analfabetos (3,2%). Maior taxa de atendimento de alunos de 6 a 14 anos (99,2%). Segundo o índice Gini, Santa Catarina tem a maior igualdade social e maior expectativa de vida do Brasil, com quase 80 anos de idade. O sexto maior PIB e o primeiro destino turístico do país. 90% são micro e pequenas empresas que geram a distribuição de renda. Agropecuária concentrada em pequenas propriedades, sem latifúndios. Tem disponibilidade hídrica. "Em Santa Catarina abunda água. Lá não falta água". Serviços de escolas internacionais nas principais cidades. O Estado é o maior produtor e exportador brasileiro de carne suína, respondendo por aproximadamente 35% das exportações do produto pelo país. Conta com dez mil criadores integrados às agroindústrias e independentes e produz cerca de 850 mil toneladas de carne suína por ano. É o único estado brasileiro reconhecido como zona livre de febre aftosa sem vacinação, status certificado em 2007 pela Organização Mundial de Saúde Animal OIE). E em maio, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) entregou a certificação que reconhece SC também como zona livre de peste suína clássica. É o segundo maior produtor e maior exportador nacional de aves. Maior produtor nacional de maçã, cebola, ostras e mexilhões. "Nós temos grande interesse em trazer empresas, inclusive as empresas de alta tecnologia na área de informática. Santa Catarina é diferente do resto do Brasil, por causa das nossas origens, de nossas raízes. É formada por imigrantes que vieram da Itália, Açores, Portugal, Alemanha, Japão, Polônia, entre outros. Eles formaram essa cultura, energia que deu muito certo e tornou Santa Catarina um Estado muito diferenciado do contexto nacional", disse Carlos Adauto.
Atividades Ordinárias
Em "Comunicados", houve a apresentação do novo diretor-executivo da Câmara, Wagner Suzuki. Koji Kondo, presidente da Comissão de Relações Públicas, apresentou o novo panfleto da Câmara. O cônsul-geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae, comunicou a todos sobre o Festival de Hanabi que irá acontecer em 12 de setembro vindouro, em Interlagos, São Paulo, um dos eventos dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão que se comemora neste ano.
No "Discurso de Três Minutos", Masao Suzuki, diretor do jornal "São Paulo Shimbun", convidou as pessoas residentes no Brasil e que estudaram na Universidade de Kansai, para participar da formação de uma associação. Yasuhisa Noto, diretor da IHI Corporation, fez uma apresentação do perfil institucional da empresa. A professora Kyoko Nakagawa, coordenadora do grupo que executa as atividades do Projeto Kaeru, fez apresentação sobre o projeto que dá assistência para a adaptação de jovens e crianças ao sistema escolar brasileiro. Yoo Fukazawa e Pedro Erber, diretor-geral e curador da Fundação Japão, comunicaram a realização da Exposição da Arte Vanguarda do Japão.
Em "Troca de Representantes", houve as apresentações de Gilson Toda, diretor-presidente da Avance-Authent (Avance do Brasil Consultoria de Recursos Humanos Ltda.); Mikihiko Kato que deixa o cargo de diretor-presidente da Cerâmica e Velas de Ignição NGK do Brasil Ltda., e seu substituto Hiroyuki Tanabe.
Em "Novas Associadas", o presidente Toshifumi Murata entregou diploma de nova associada às seguintes empresas, após breve discurso dos representantes: Fluxo Soluções Integradas Ltda., por Koitiro Hama, diretor; Forest KK do Brasil Ltda., por Ivan R. Yamasaki, diretor; Takara Belmont para América do Sul Indústria e Comércio de Móveis Ltda., por Yutaka Awashima, diretor; e Torata Indústria e Serviços de Cromagem Ltda., por Yoshitaka Torata, diretor-presidente.
PDF anexo: Apresentação da Palestra

João Raimundo Colombo, governador do Estado de Santa Catarina e Toshifumi Murata, presidente da Câmara (Fotos: Rubens Ito / CCIJB)

João Raimundo Colombo e Carlos Adauto Virmond, governador e secretário-executivo de Assuntos Internacionais do Estado de Santa Catarina

Takahiro Nakamae, cônsul-geral do Japão em São Paulo, Motoo Uchiyama e Atsushi Yasuda, diretores-executivos da Câmara

Wagner Suzuki, Tomoyoshi Egami e Ichiro Amano, diretor-executivo e vice-presidentes da Câmara



Presidente da Câmara, Toshifumi Murata, faz entrega de placa de agradecimento ao governador
João Raimundo Colombo (c). À direita, o secretário-executivo de Assuntos Internacionais, Carlos Adauto Virmond.

Membros da Diretoria e demais autoridades com o governador João Raimundo Colombo

Rubens Ito / CCIJB





