O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) abriu no dia 2 de setembro, à tarde, o seminário econômico Brasil-Japão, sediado na Fiesp, dizendo que "o momento de investimentos é agora".
Falando para cerca de 300 empresários, autoridades brasileiras e japonesas, o presidente de Fiesp destacou os 120 anos da assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre as duas nações, neste ano de 2015, que está sendo marcado por eventos comemorativos.
Segundo Paulo Skaf, o Japão é uma referência para todos. "O Japão serve como referência a todos nós, referência em seriedade, competência, trabalho, disciplina, tradições, inovação, tecnologia. Os brasileiros admiram o Japão, admiram e respeitam muito a comunidade japonesa que sem dúvida teve uma participação muito grande, muito significativa na construção do país".
De acordo com Skaf, o respeito dos brasileiros pelo Japão é muito grande. "O nosso respeito pelo Japão é muito grande. Nós gostamos muito dos costumes japoneses. Eu tenho cinco filhos. Minha esposa e meus cinco filhos gostam prioritariamente da comida japonesa. Na cidade de São Paulo tem mais restaurantes japoneses do que churrascarias que é um restaurante típico brasileiro. Enfim, tudo isso tem a ver com a aproximação e o entrosamento com os dois povos".
Skaf destacou a importância dos japoneses e seus descendentes na história e no desenvolvimento do país. "A participação dos japoneses no Brasil e especialmente no Estado de São Paulo é altamente significativa e sem dúvida muitas linhas da história de nossa cidade, do nosso Estado e do nosso país foram escritos com o suor, com o trabalho de representantes do Japão e seus descendentes japoneses".
No encontro ocorrido no auditório da entidade, ele lembra que a admiração dos brasileiros pelos japoneses também é muito grande. "Estive chefiando uma missão de brasileiros que fizemos visita a Tóquio, com o presidente da República da ocasião e fomos muito bem-recebidos. O povo japonês também gosta e admira muito os brasileiros", ressaltou.
O presidente da Fiesp destacou também que a atual crise política atrapalha a atividade econômica do país, mas o Brasil deve superá-la no médio e longo prazos. E disse que o momento atual é oportuno para investimentos. "Quem vê investimentos não vê investimentos no mês seguinte ou por um ano seguinte. Investimentos são vistos a longo prazo, no minimo a médio prazo. Eu garanto no médio prazo que o Brasil terá ultrapassado todas essas complicações momentâneas que está passando na área econômica e na política. Nós temos tudo a dar certo. A crise política está atrapalhando a economia, mas tudo isso passa. Neste momento de crise econômica e política. O momento de investimentos é agora. A nossa realidade cambial neste momento é uma grande oportunidade para investir no Brasil. Neste momento, por essa circunstância, por essa realidade atual que estamos vivendo. É uma grande oportunidade para investimentos. A oportunidade é nessa fase. Nessa fase cambial. Fase que as coisas que põem dúvidas em relação à economia e apresentam as boas oportunidades. Em fase em que o país está 'bombando', com tudo em ordem, com crescimento fantástico, fica mais difícil em investimentos estrangeiros".
No final do seu discurso, Paulo Skaf, exaltou o grande potencial do Brasil e suas oportunidades, convidando os japoneses para investirem no país. "O amanhã está logo por aí. Complicações políticas são momentâneas. Isso passa. Todos os países têm suas dificuldades. O Brasil não deixa de ter 200 milhões de habitantes, de consumidores, liderança no continente sulamericano, riquezas naturais, seu clima tropical, seu povo talentoso, solidário, bom, produtivo, todas as vantagens competitivas, terra de paz, sem acidentes naturais, uma área que ocupa a metade da América do Sul, 8 mil km de litoral, com riquezas para todo o lado. As empresas japonesas que estão aqui há tempos sabem bem disso. Sabem das oportunidades. Estamos de braços abertos para o exterior. Temos sim que aumentar os investimentos japoneses no Brasil e levar investimentos brasileiros para o Japão. Temos sim que aumentar a nossa corrente de comércio, porque um país como o Brasil e um como o Japão, que têm 2 trilhões de dólares de corrente comércio, ter uma corrente de comércio entre nós de 12 a 13 bilhões de dólares é menos que 1%. É muito pouco".
O presidente da Câmara, Toshifumi Murata, destacou os grandes projetos nipo-brasileiros como a Usiminas (siderurgia), a Ishikawajima (construção naval), a Cenibra (papel e celulose), Albrás (alumínio), Prodecer (desenvolvimento do Cerrado brasileiro), a implantação do sistema nipo-brasileiro de TV digital, quanto à entidade, o aumento do número de associadas e a criação da Comissão de Relações Institucionais. Finalizando, afirmou que o incremento do comércio significa o intercâmbio de pessoas, daí, a importância e a necessidade da facilitação na obtenção de vistos de entrada em ambos os países.
O momento atual de crise do Brasil proporciona uma “oportunidade ímpar para uma perspectiva de crescimento”, disse o embaixador do Japão no Brasil, Kunio Umeda. Para ele, “o Brasil tem todas as condições para superar a crise atual e caminhar para um país ainda mais forte e livre de corrupção”. Umeda disse que “a incrível capacidade brasileira de superar desafios é outro fator positivo que merece destaque. Os brasileiros já conhecem bem a receita. Agora falta executá-la”.
Representando o ministro Joaquim Levy, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Afonso Arinos de Melo de Franco Neto, disse que as taxas de inflação do país “estão, pouco a pouco, convergindo, o que demonstra o acerto da política monetária comandada pelo Banco Central”. Afonso Arinos lembrou que 90% das importações japonesas de carne de frango e 60% das compras de suco de laranja são provenientes do Brasil. Também pediu aos japoneses investimentos em obras de infraestrutura e logística, anunciadas pelo Programa de Investimentos em Logística (PIL), objetivando reduzir os custos das exportações brasileiras no longo prazo. Na ocasião, ele pressionou pela retirada do embargo japonês à carne bovina brasileira. “Precisamos avançar na abertura do mercado para exportações brasileiras”.
Koichi Yajima diretor-executivo do JBIC (Japan Bank for International Cooperation, banco de fomento do Japão), relatou uma pesquisa do JBIC, que mostra que 45,9% das empresas japonesas acreditam que a instabilidade da segurança pública e social é a maior barreira para investir no Brasil. 31% acreditam que o maior obstáculo seria a falta de clareza do sistema legal.
Koji Kondo, diretor-presidente da Toyota do Brasil, fez um relato sobre o desempenho da marca. Segundo ele, no Brasil a Toyota está fabricando os modelos Corola e Etios. E na Argentina, Hilux e SW4. O Brasil exportou no ano passado para a Argentina 34 mil automóveis da marca e importa daquele país 58 mil. Para reduzir o custo, a empresa começou a exportar para o Uruguai e o Paraguai. Motores e transmissão estão sendo fabricados no Brasil. Está sendo feito acordo para evitar atrito com funcionários e sindicatos.
A condução do seminário ficou a cargo do diretor do Departamento de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto.

O Seminário Econômico Brasil-Japão foi um dos eventos comemorativos dos 120 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre as duas nações.

Thomaz Zanotto (diretor do Departamento de Comércio Exterior e Relações Internacionais-Derex da Fiesp), Kunio Umeda (embaixador do Japão no Brasil) e Paulo Skaf (presidente da Fiesp)

Paulo Skaf (presidente da Fiesp), Toshifumi Murata (presidente da Câmara) e José Augusto Correa (José Augusto Corrêa, diretor-titular-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior-DEREX da FIESP)



Paulo Skaf (presidente da Fiesp) e Toshifumi Murata (presidente da Câmara)

Koichi Yajima (diretor-executivo do JBIC – Japan Bank for International Cooperation) e Afonso Arinos Mello de Franco Neto (secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda)

Wolfram Anders (presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha e CFO da Robert Bosch) e Gilberto Peralta (CEO da GE Brasil)

Octavio de Barros (economista-chefe do Banco Bradesco e vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil-França) e Ryo Suzuki (moderador do seminário e editor-sênior do Nikkei Inc.)

Koji Kondo (vice-presidente da Câmara e presidente da Toyota do Brasil Ltda.) e Seiji Shiraki (vice-presidente executivo da Mitsubishi Corporation do Japão e presidente para a América Latina da mesma empresa)

Ichiro Amano (vice-presidente da Câmara e chairman da Yakult Indústria e Comércio) e Paulo Penido (conselheiro da Usiminas)

Claudio Sassaki (co-fundador da Geekie) e Francisco Caiuby Vidigal Filho (presidente da Yasuda Marítima Seguros)


Minolu Camicado (fundador da Camicado) e Claudio Sassaki (co-fundador da Geekie)

Texto e fotos: Rubens Ito / CCIJB





