A comunicação pode ser uma peça essencial para a integração do Brasil com os japoneses, segundo anunciou o presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação, João Carlos Saad, no evento Confraternização dos Associados, na tarde da última sexta-feira (14/08), em São Paulo, destacando a importância da mídia na relação bilateral.
Antes de sua exposição, o presidente da Band exibiu em projeção power point de oito minutos, adiantando à platéia de mais de 90 membros-associados, perfil e dados do Grupo Bandeirantes de Comunicação.
Como elo importante no avanço do intercâmbio bilateral, a comunicação foi um dos aspectos analisados por Saad, acrescentando que ela tem papel relevante no processo de desenvolvimento da relação entre os dois países. O Brasil como líder emergente, maior território do continente, com extensas terras férteis, grandes reservas minerais, sustentando grande produção de grãos e carne, população em franco desenvolvimento, com muitas ilhas de excelência em matéria de indústria e de serviços; bons números na área social e democracia cada vez mais forte e mais aprofundada, e o Japão com grande capacidade tecnológica e econômica.
O Brasil tem uma boa imagem do Japão e de sua comunidade, mas segundo Saad, é preciso explorá-la. "A comunidade japonesa é muito bem vista, muito respeitada, absolutamente integrada com a sociedade brasileira. O Brasil é muito grato por isso. Trouxe progresso, desenvolvimento desde o plantio de vegetais não existentes no país (hortifrutigranjeiros no Ceasa), desenvolvimento do Cerrado, mudou o Vale do São Francisco. Comunidade que sofreu com o sol escaldante, enfrentou péssimas condições sanitárias e de saúde, mudou a cara do interior do Brasil". No entanto, segundo Saad, ela "precisa cuidar da sua imagem", pois, ao seu ver, "uma série de coisas bonitas que a comunidade faz não aparece na mídia".
"Precisamos melhorar a comunicação. Acho a comunicação Brasil-Japão muito ruim. As agências de notícias não levam o dia-a-dia e levam os picos. Resultado: uma visão predominantemente negativa de ambos os países. Do Japão vemos terremoto, tecnologia e daqui são transmitidas notícias de assassinatos, carnaval e desastres. O problema não seria a verdade nem a mentira. Seria a versão. Esta sendo repetida pode se tornar uma verdade".
Desamarrar esse nó será o desafio, diz Saad, que aponta a parceria da Bandeirantes com a TV estatal NHK do Japão como o começo desse trabalho, bem como a criação de um setor de "contra-informação" pelo lado japonês. "E por aí nasceu o acordo com a NHK. São mudanças muito lentas. É o suficiente? Não. Mas é o começo. Vocês devem ter um setor para isso, pois quando sair alguma informação errada na mídia, corrigi-la e entregar sua versão".
Saad observou que Brasil e Japão estão na terceira onda em suas relações, que seria privada, empresarial, pessoal, ligada com as empresas, não dependente do governo e muito mais duradouras, com oportunidades de novos negócios e alianças. A primeira onda foi a da imigração, da lavoura. A segunda foi a governamental, regime militar, grandes projetos na siderurgia, mineração e petróleo.
Ambos os países querem ampliar suas relações, inclusive com a possibilidade de um acordo de livre comércio, pois é do interesse estratégico do governo dos dois países, que defendem maior integração, e do interesse comercial de seus empresários, ávidos por aumentar os negócios. "O Brasil tem alianças de negócios, aliança estratégica com o Japão. 1,5 milhão de descendentes que cresceram, expandiram, desenvolveram e se integraram no país. Existem grandes oportunidades de alianças muito mais profundas com o Japão. O Brasil faz negócios com a China, mas não tem sementes na história com aquele país. Isso leva um século para se desenvolver".
Promovido pela Câmara, o evento contou com a presença do presidente Makoto Tanaka; do cônsul-geral do Japão em São Paulo, Kazuaki Obe; do diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da FIESP, José Augusto Corrêa; de presidentes e diretores das maiores empresas japonesas no Brasil.
O Grupo Bandeirantes de Comunicação é hoje, uma das maiores empresas de comunicação do país. Na área de televisão, o Grupo BAND cobre hoje praticamente 100% do território brasileiro. Tem parceria com a TV estatal NHK do Japão. Inaugurou em 2001 um canal de notícias 24 horas, o BANDNEWS. E em 2002 o canal de esportes, BANDSPORTS. Recentemente lançou a Rádio SulAmérica Trânsito, Jornal Metro e a Rádio Mitsubishi atingindo telespectadores e ouvintes de diversas áreas e interesses.
PDF anexo: Perfil e Dados do Grupo Bandeirantes de Comunicação

João Carlos Saad (Fotos: Rubens Ito / CCIJB)

João Carlos Saad (presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação) e Makoto Tanaka (presidente da Câmara)

Kazuaki Obe (cônsul-geral do Japão em SP) e José Augusto Corrêa (diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da FIESP)

Shozo Hasebe (presidente da Toyota do Brasil) e João Carlos Saad (presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação)

O Brasil tem uma boa imagem do Japão e de sua comunidade, mas segundo João Carlos Saad, é preciso explorá-la.

A comunicação, segundo João Carlos Saad, tem papel relevante no processo de desenvolvimento da relação entre os dois países.

Ao encerrar sua palestra, o presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação, João Carlos Saad, recebe uma placa de homenagem do presidente da Câmara, Makoto Tanaka.
Rubens Ito / CCIJB





