Liderança. Esse foi o tema da palestra que foi proferida pelo comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar, Juniti Saito, no dia 15 de agosto, na Confraternização dos Associados, em São Paulo. Juniti Saito é o primeiro nikkei (descendente de japoneses) a ocupar o mais alto posto nas Forças Armadas. Mais de 120 pessoas, membros associados em sua maioria e convidados, participaram do evento.
Leia a seguir a íntegra da palestra que teve tradução simultânea português-japonês-português e apresetação de vídeo institucional em inglês, com tradução para o português.
“Líderes são o recurso básico e também o mais escasso de uma empresa. (Peter F. Drucker)
A origem da palavra líder vem do termo anglo-saxão “lithan”, que significa ´aquele que conduz, que influencia´ “. Na síntese de diversos autores, liderança significa “processo de influenciar as atividades de um indivícuo ou de um grupo para a realização de um objetivo numa dada situação.
Liderança:
O Líder não nasce do nada, é construído ao longo de sua carreira. Está marcado por suas ações e decisões. A cada ciclo profissional, renova-se para perseguir novos objetivos e atingir, com suas idéias, novos grupos de pessoas. Nunca se afasta da realidade de que é apenas um ser humano.
Obediência consciente:
A liderança inspira no indivíduo ou grupo a obediência consciente, o que o impulsiona no momento de seguir seu líder.
Liderança x chefia:
A palavra chefia, do latim caput, significa ´cabeça , a parte principal´. Chefia é um cargo e decorre de ato administrativo legal. Ocupar um cargo não implica, necessariamente, ser líder. Um chefe nem sempre consegue influenciar seus subordinados.
Liderança negativa:
Na verdadeira liderança, um aspecto fundamental é a realização dos objetivos da organização. Entretanto, vários autores mencionam a existência de “líderes” que buscam apenas satisfazer seus objetivos pessoais. Chamamos liderança negativa ao comportamento do líder que busca outros resultados, em detrimento do interesse maior da instituição.
Qual o melhoir estilo de liderança?
Não há um melhor estilo. O líder deve ser como o músico, que muda suas técnicas e métodos para obter as nuances desejadas na execução. O segreto estaria, então, em buscar um equilíbrio entre as posições e os estilos, uma vez que a diversidade de ambientes pode demandar diferentes atitudes.
Aspectos que podem contribuir para a consilidação da liderança:
Conhecer a missão de sua Organização, sua história e seus objetivos. Conhecer o seu pessoal, seus projetos profissionais e anseios pessoais.
O líder é um motivador:
É capaz de estimular o potencial do outro ao máximo. Isso não quer dizer exigência demasiada; pelo contrário, quer dizer elevar as capacidades do indivíduo ou do grupo, estimulando a dar o melhor de si. O líder percebe o potencial das pessoas antes que elas o percebam.
Falar não é fazer:
Nem toda pessoa competente é capaz de inspirar ou influenciar os outros a fazerem bem o seu trabalho. Não se pode alcançar um novo objetivo pela aplicação do mesmo nível de pensamento que o levou ao ponto em que se encontra hoje. Os experts nas áreas técnica ou operacional, quando promovidos a posições de liderança, acostumados a sentir-se realizados, enfrentam uma barreira, porque quando se está numa posição de liderança, a medida do sucesso muda.
O líder é coerente:
Não pode haver discrepância entre o seu discurso e a prática; se seus atos forem reprovados sua capacidade de influenciar pessoas desaparecerá. Isso quer dizer que a admiração ao líder é a maior fonte de motivação para que suas orientações sejam seguidas.
Diretriz inicial:
Estabelecer metas. Estabelecer prioridades. Estar convicto de suas intenções. Ser claro e conciso. Estar pronto para revisões e adaptações.
Atenção:
O líder é constantemente observado. Não adotar decisões precipitadamente. Analisar sempre que o tempo permitir. Não cultivar o sentimento de “feudo” – pense grande, pense na Instituição. Ser fiel à sua escolha com força de vontade e comprometimento.
Atitudes relevantes:
Ser ético. Ser firme e imparcial. Controlar a vaidade. Não marginalizar os diferentes – liderar implica UNIFICAR. Há várias maneiras de transmitir um mesmo assunto – encontre a melhor.
O Homem:
Ser habilidoso no tratamento – respeitar as diferenças pessoais. Considerar as limitações de cada um. Não ser crítico em demasia – incentivar e valorizar os indivíduos e o grupo.
Motivação:
Estimular o potencial do outro ao máximo. Isso não quer dizer exigência demasiada; pelo contrário, quer dizer elevar as capacidades do indivíduo ou do grupo, estimulando a dar o melhor de si. Perceber o potencial das pessoas antes que elas o percebam.
Qualidade e Produtividade:
O Japão mostrou como era importante estimular as pessoas “do pescoço para cima”, através de conceitos inovadores de trabalho em equipe, além de iniciativas de qualidade e produtividade.
Criar afinidades:
É essencial aprimorar a comunicação, criar um campo de afinidades de forma que as informações sejam veiculadas num clima de aceitação e identidade. As diferenças existem: não é possível eliminá-las. É possível tolerar as diferenças como uma estratégia de aproximação.
Conhecer as pessoas:
Dar às pessoas a ferramenta certa para que usem e produzam o conhecimento. Para isso, é necessário conhecer mais as pessoas, descobrir suas genialidades, suas limitações e colocá-las na posição certa e no momento certo.
Momentos adversos implicam oportunidades:
É nos momentos de crise e nas adversidades que o caráter do líder se revela: o modo como enfrenta o conflito, seu grau de envolvimento, as estratégias que usa, a forma como interage com as pessoas, o nível de controle emocional, a escolha das alianças, entre outras condições.
Inspiração:
Cada um de nós tem uma força motriz interior que deve ser encontrada e potencializada. O líder conhece a sua fonte de inspiração e estimula as pessoas a descobrirem as suas.
Empatia:
Demonstrar satisfação pelo trabalho executado, elogiar, agradecer a contribuição, são gestos que renovam os sentimentos de inclusão e reafirmam a importância dos outros para o trabalho do grupo. O líder demonstra sua preocupação quando as coisas não dão certo, fala com as pessoas, personaliza o assunto, promove o esclarecimento, sem generalizar desempenhos indesejáveis.
Paciência:
Ter paciência é demonstrar autocontrole.
Paciência e autocontrole são fundamentos do caráter. Como confiar no líder que não se controla diante de seus liderados? Agir movido por raiva ou paixão, é impróprio e prejudica os relacionamentos.
Humildade:
Humildade é a demonstração de ausência de orgulho, arrogância ou pretensão – é um comportamento autêntico. Os líderes humildes não se iludem sobre quem realmente são. São conscientes de suas forças e limitações. São capazes de manter as coisas em sua devida perspectiva, sem ilusões.
Respeito:
Tratar todas as pessoas com a devida importância. Respeito não é algo que você adquire quando se torna o líder: o respeito é conquistado. Delegar responsabilidades é uma maneira eficaz de os líderes demonstrarem respeito pelas habilidades e capacidades das outras pessoas, construindo relações de confiança.
Liderança x credibilidade:
As pessoas devem acreditar no líder e confiar em sua palavra. “Se você não acredita no mensageiro, não vai acreditar na mensagem”. A exigência final da liderança eficaz é a conquista da confiança. Se não for assim, não haverá seguidores.
O líder unifica:
A unidade é importante para alcançar a vitória. É preciso pertencer ao grupo, sentir-se parte dele, para lutar por ele e com ele, na busca de objetivos. É necessário fomentar este sentimento, criar identidades, confiança, sincronismo e espírito de corpo, de maneira que todos sintam-se satisfeitos com a unidade.
Ambiente de trabalho:
Cumprimentar as pessoas, do mais humilde ao mais graduado. Respeitar o seu pessoal; mostrar que você está interessado nas pessoas, não apenas no que podem fazer por você ou pela sua organização. “Os soldados gostam de ver os dirigentes das operações, ressentem-se, com justiça, de qualquer indicação de negligência ou indiferença para com eles, da parte de seus comandantes, e invariavelmente interpretam uma visita, mesmo breve, como sinal de preocupação do comando com eles. A timidez ou a modéstia nunca devem cegar o comandante no seu dever de mostrar-se a seus homens, conversar, misturar-se com eles no máximo das limitações físicas. (Gen. Dwight David Eisenhower)
Perfil – Nascido em Pompéia (SP), em 12 de abril de 1942; filho de imigrantes japoneses, o comandante Juniti Saito ingressou na Força Aérea Brasileira em março de 1960 e foi promovido ao atual posto em 2003. Atualmente, conta com mais de 48 anos de serviço. Piloto operacional das Aviações de Caça e de Transporte, tendo acumulado mais de 6.000 horas de vôo. Entre as aeronaves voadas, destacam-se o F-5 e o Mirage III. Foi adido aeronáutico na Inglaterra e oficial acreditado junto aos governos da Suécia e Noruega, além de assessor-técnico junto à Força Aérea do Paraguai. Exerceu, entre outras funções, os cargos de: comandante do Segundo Comando Aéreo Regional, em Recife, e do Quinto Comando Aéreo Regional, em Canoas-RS; comandante-geral de Apoio; comandante-geral de Operações Aéreas; e chefe do Estado-Maior da Aeronáutica. Ao longo da carreira, foi agraciado com várias condecorações nacionais e estrangeiras.

Comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito (Fotos: Rubens Ito / CCIJB)

Comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito; presidente da Câmara Makoto Tanaka; e cônsul-geral-adjunto do Japão em São Paulo, Jiro Maruhashi.

Presidente da Câmara Makoto Tanaka, comandante da Aeronáutica Juniti Saito e presidente do Conselho Fiscal da Câmara, Tadashi Yamada.

Katsumoto Yoshimura (segundo-secretário de Economia da Embaixada do Japão no Brasil), tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito (Comandante da Aeronáutica) e Fujiyoshi Hirata (secretário-geral da Câmara)

Mais de 120 empresários e executivos participaram do evento.

“Liderança” foi o tema da palestra que foi proferida pelo comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro-do-ar, Juniti Saito.
Rubens Ito – CCIJB – 15/08/2008





