A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), localizada no maior centro financeiro da América Latina (avenida Paulista, 1313, São Paulo), destaca na última edição de sua revista da Indústria, que circula desde o final da primeira semana de abril, especial sobre os cem anos de cultura, amizade e negócios entre Brasil e Japão, em homenagem ao centenário da imigração japonesa no Brasil. A publicação, com tradução para o idioma japonês, traz depoimento do presidente da entidade, Paulo Skaf, faz reportagens com quatro dirigentes de empresas 100% nacionais, fundadas por imigrantes, que hoje são “referência de qualidade e excelência em seus respectivos ramos de atividade”, com destaque de capa Shunji Nishimura, fundador do Grupo Jacto e da Fundação que vem com o seu nome. Os demais empresários reportados na revista são os diretores-presidentes da Sakura Nakaya Alimentos, Renato Kenji Nakaya; da Hikari, Marino Kurita; e da Sasazaki Indústria e Comércio, Tochimiti Sasazaki.
Uma das entidades mais importantes do Brasil, a Fiesp conta com 132 sindicatos patronais associados, os quais representam, aproximadamente, 150 mil indústrias de todos os portes e das mais diferentes cadeias produtivas, e tem sob sua tutela nada menos que 42% do PIB industrial do país. Segundo dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho e Emprego, no ano de 2006, as indústrias de transformação paulista geravam 2,462 milhões de empregos no Estado de São Paulo.
A Fiesp observa, em reportagem, que “a cultura japonesa no Brasil é mais um dos ingredientes que formam a grande mistura tropical de gestos, cores, falas e sabores”, e fala da contribuição dos imigrantes japoneses no crescimento do país. “Lá se vão os 100 anos desde que o primeiro navio de imigrantes, o Kasato-Maru, aportou em Santos. De 1908 até o início da década de 50, mais de 110 mil japoneses vieram para o Brasil fugindo de sucessivas crises econômicas e semeando a esperança na nova terra. Aqui lutaram, tiveram filhos, adaptaram-se ao clima e aos costumes, trabalharam ombro a ombro com outros grupos de imigrantes vindos da Europa, sofreram preconceitos – e deixaram sua marca. Não são raras as histórias de sucesso, fruto de obstinação e força de trabalho ímpares – na agricultura, no comércio, na vida acadêmica, na política, no meio artístico e na indústria”, nota a revista de circulação mensal.
Sob o título “Amizade e confiança sob o signo da paz e o brilho do sol”, Paulo Skaf cita, na carta ao leitor, o diário de bordo escrito por Ryo Mizuno, considerado o “pai da imigração”, que descreve o início da jornada que trouxe ao Brasil os primeiros japoneses, após 52 dias no mar, às 17h do dia 18 de junho de 1908, a embarcação atracou no cais 14 do porto de Santos. “Depois de uma noite tranqüila, o Kasato-Maru percorreu as primeiras 195 milhas e a viagem transcorre normalmente. Os passageiros usam trajes ocidentais confeccionadas na Europa. Os homens deixam de lado o quimono e vêm de terno e gravata, chapéu e bota”. E fala sobre as comemorações do Brasil no centenário da imigração, os japoneses e seus descendentes no país, a missão empresarial que a entidade fez ao Japão entre os dias 17 a 27 de abril, as perspectivas na ampliação das relações comerciais com o Japão, entre outros. “Cem anos depois, num vôo de aproximadamente 24 horas, um grupo de empresários, entre eles alguns representantes da comunidade nipo-brasileira, faz caminho oposto ao daqueles valorosos imigrantes. É a missão empresarial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que, em abril de 2008, busca ampliar ainda mais o laço secular, abrindo nova frente de negócios entre as empresas do Brasil e do Japão. Trata-se de uma maneira muito especial de celebrar o centenário de um fluxo imigratório que agregou numerosas virtudes à sociedade e à economia brasileiras. A sabedoria milenar dos japoneses, a capacidade de trabalho, obstinação no cumprimento de metas, competência e consciência cívica estão presentes em todos os segmentos de atividades e profissões no Brasil. Nisseis, sanseis, e pessoas nascidas no Japão e que escolheram nosso país como sua nova terra são os herdeiros daqueles imigrantes que inauguraram a interação entre dois povos predestinados à cooperação recíproca. De fato, o intercâmbio nipo-brasileiro mostra-se dinâmico e, o que é melhor, com imenso potencial para ser multiplicado. No comércio bilateral, nosso país registra déficit, pois a maioria das exportações refere-se a produtos não-manufaturados, ou seja, com menor valor agregado, e temos importado bens com alta trecnologia, nos quais o Japão distingue-se no mercado mundial. A tendência, contudo, é de maior equilíbrio, à medida que começamos a vender aviões, moda – valorizada pelo talento e criatividade do design brasileiro -, medicamentos e outros produtos industriais. O intercâmbio comercial entre os dois países já é expressivo, tendo movimentado US$ 8,92 bilhões em 2007, sendo US$ 4,32 bilhões referentes às exportações brasileiras e US$ 4,60 bilhões às japonesas. Com certeza, porém, esses números podem ser muito maiores. É isso que buscamos ao promover a visita ao Japão de empresários dos setores de alimentos, software, autopeças, têxtil, turismo, móveis, artigos de decoração, jóias e bijuterias. Comprar, vender e instituir joint-ventures são os parâmetros que permeiam o universo do comércio exterior. Nas negociações com os japoneses, contudo, há elementos que sempre precedem tais questões: amizade e confiança! Para eles, esses valores são mais importantes do que os contratos. Por isso, temos um grande trunfo a contribuir para que sejam bem-sucedidos os esforços de ampliação das relações econômicas bilaterais: 100 aos de convivência e solidariedade sob o signo da paz e o brilho do sol! “, destaca Skaf.
A úlltima edição da revista da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo dá destaque também para outras notícias do Japão. Comenta o design verde-amarelo “de aviões a confecções femininas, a criativadade brasileira está na moda no Japão e muda o perfil do comércio bilateral”, relata o Japão de hoje “o país do sol nascente só pode ser descrito com superlativos – É a segunda maior economia mundial e possui uma das maiores rendas per capita do planeta”. Nas demais notícias, ainda faz reportagens sobre agronegócio, indústria, natureza, saúde, alimentação, esporte, cultura, bolsa de valores, mercado, educação, cultura, entre outros.
Rubens Ito – CCIJB – 7/05/2008

Paulo Skaf (foto: Divulgação)





