Tanaka participa da cerimônia para o início da transmissão da TV digital no Brasil

Exatamente às 20h, as seis principais emissoras e a nova TV pública exibiram, ao mesmo tempo, um filme que explicou à população o que é a TV digital. A exibição aconteceu no mesmo momento da cerimônia, que marcou o início da transmissão da TV digital no Brasil.

Logo depois da exibição do vídeo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou aos 1,2 mil convidados da cerimônia e à população em rede nacional. Nessa primeira fase, o sinal digital será transmitido apenas para o estado de São Paulo. 

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaviero, a cerimônia registrará o que ele chamou de “marco zero” das transmissões da TV digital, um início simbólico, já que nem toda a população terá acesso a essa tecnologia neste primeiro momento.

“Consideramos isso o terceiro grande momento da televisão no país. O primeiro foi em 1950 com o início das transmissões, o segundo foi em 1972 com o início das transmissões em cores e agora em 2007. O início da televisão digital será a renovação deste que é o principal meio de comunicação de informação e entretenimento da população brasileira porque transmite de forma livre aberta e gratuita”.

Para assistir à TV digital será preciso um conversor ou um televisor já adaptado, mas Slaviero reforçou que o telespectador que não puder ou não quiser adquirir os equipamentos não precisa se preocupar, já que as emissoras continuarão transmitindo em sinal analógico pelo menos até 2016. “Hoje não muda absolutamente nada. As emissoras continuarão transmitindo por um prazo mínimo de dez anos o seu sinal analógico e digital ao mesmo tempo”, disse.

Aqueles que optarem por receber o sinal digital desde já ganharão a vantagem de uma imagem com alta qualidade e sem manchas, além do som limpo e claro, sem ruídos. Assim que o software Ginga, desenvolvido por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), atualmente em fase de testes, estiver pronto, outra vantagem será a interatividade.

“A interatividade dará a possibilidade de o telespectador ver informações adicionais sobre o conteúdo da  programação, guia de programas, notícias, informações sobre os capítulos das novelas, entre outras coisas”, afirmou Slavieiro.

Neste primeiro momento os conversores que estarão disponíveis no mercado não trarão o sistema Ginga, mas, segundo o presidente da Abert, a partir de 2008 os telespectadores que comprarem o conversor poderão ter acesso à interatividade pela televisão, podendo inclusive comprar produtos vistos nos programas ou até mesmo pagar contas por  meio do aparelho.

“Essa é a segunda fase da interatividade, quando nós tivermos o software em sua plenitude com o Ginga e o canal de retorno que é a comunicação entre os telespectadores e a emissora funcionando”.

Slaviero garantiu que haverá queda nos preços dos conversores. De acordo com ele, a queda nos preços e o aumento do acesso da população aos equipamentos será uma evolução gradual como todo processo de implantação tecnológica.

“Se lembrarmos quando o DVD chegou aqui no Brasil, o aparelho era vendido a R$ 3,2 mil e hoje encontramos a R$ 150, dividido em dez vezes. E o preço dos conversores, e mesmo o dos televisores com o conversor embutido, seguirá a mesma tendência. Na medida em que
o Brasil tiver produção local e ganho de escala, esses preços certamente cairão”, finalizou.

Melhor qualidade de som e imagem e possibilidade de interação são algumas das vantagens que o telespectador brasileiro terá com o sistema de TV digital no país. As primeiras transmissões acontecem amanhã (2), na região metropolitana de São Paulo.

Para o professor Alexandre Hashimoto, mestre em novas tecnologias pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do curso de Sistema de Informação das faculdades integradas Rio Branco, a entrada do Brasil no sistema de transmissão digital é um marco para a história da tecnologia mundial.

“O povo brasileiro vai passar a ser mais bem informado e com muito mais opções, mudando até a forma como ele consegue assistir televisão”, disse Hashimoto, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.

Ele explica que a principal diferença para os telespectadores será a qualidade da imagem e do som que chegará até a casa dos brasileiros.

“Com o sistema analógico, as vezes a imagem chega na nossa casa com aquele chiadinho, ou em um jogo de futebol aparecem de repente 40 jogadores em campo. Com o sinal digital, os fantasmas e o chiado somem”, afirma.

Para receber o sinal digital, será preciso adaptar um conversor (chamado de set-top box) no aparelho de televisão convencional. De acordo com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, o governo deverá viabilizar a venda dos conversores de TV digital a preços populares.

Segundo Hashimoto, até 2016, os sistemas analógico e digital vão funcionar simultaneamente. Depois disso, vai haver apenas o sinal digital, e os brasileiros terão que comprar um um novo aparelho de televisão ou o conversor.

Pelo cronograma do Ministério das Comunicações, até os primeiros meses de 2008, o sistema de TV digital já estará disponível em Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Além da qualidade de som e imagem, Hashimoto destaca a possibilidade de uma interatividade maior dos telespectadores com a chegada da TV digital. Segundo ele, além de poder comprar programas e produtos pelo controle remoto, será possível usar recursos como gravar e pausar programas, aproximar a imagem que aparece na tela, assistir a um jogo por vários ângulos ou ter vários canais na tela ao mesmo tempo.

Segundo Costa, os recursos de interatividade no modelo brasileiro de TV digital estarão disponíveis em etapas e não poderão ser utilizados de imediato. Uma das possibilidades no futuro, de acordo com o ministro, será a possibilidade de fortalecer a educação à distância no país, além da criação de programas para trabalhar com a saúde pública e pesquisas de opinião.

 

Makoto Tanaka (foto: Rubens Ito / CCIJB)

 

 

 

 

 

 

 

 

Com informações da Agência Brasil