
Reugene Nishikawa
A Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) e o Consulado Geral do Japão em São Paulo promoveram no dia 06 de novembro, a palestra "O Mercado Japonês para as Empresas Brasileiras de Exportação, com o Enfoque sobre a Tendência do Consumidor Japonês" no auditório do Sebrae-SP, em São Paulo. Estiveram prestigiando o evento o presidente da Câmara, Makoto Tanaka, o presidente do Sebrae-SP, Alencar Burti e o cônsul-geral do Japão em São Paulo, Hitohiro Ishida, além de cerca de 130 empreendedores, consultores e lideranças empresariais.
A apresentação foi ministrada pelo diretor-presidente do Centro de Pesquisas do Comércio Rezon, Reugene Nishikawa. Especialista em marketing internacional, Nishikawa recebeu da Fortune Magazine e dos principais jornais japoneses o "título" de jovem gênio do marketing japonês.

Presidente da Câmara, Makoto Tanaka, em leitura do discurso de saudação.
Durante a palestra, dirigida a empresários de micro, pequenas e médias empresas brasileiras que queiram começar ou intensificar a atividade comercial com este mercado, Nishikawa abordou os seguintes temas: Situação Atual e Futuro da Economia Japonesa; Tendência de Consumo (incluindo os importados); Sistema de Distribuição do Japão; e Segredos para Ingressar no Mercado Japonês.
No ano passado, o intercâmbio nipo-brasileiro somou US$ 4,4 bilhões, sendo que o Japão é o sétimo maior importador de produtos brasileiros (responde por 3,48% do total de nossas exportações), com destaque para carne de frango, seda, café, celulose, minérios, alumínio e pérolas/pedras preciosas. As exportações brasileiras para o Japão subiram 5,62% em 2002, taxa acima da média global do incremento das exportações, que ficou em 3,7% no mesmo período.
Japão precisa do vigor e da diversidade brasileira
Esta afirmação foi feita pelo especialista japonês em marketing durante o encontro. O diretor-presidente do Centro de Pesquisas de Desenvolvimento Comercial, Reugene Nishikawa, acredita que o Brasil pode ser um parceiro fundamental na reconstrução da economia japonesa, uma vez que o país precisa incrementar suas importações e "aqui vocês têm produtos inéditos, criativos e com uma diversidade surpreendente, resultado da mistura e convivência entre as diversas culturas que aqui se instalaram. Precisamos do vigor e da vitalidade dos brasileiros".
O consultor de marketing afirmou que o Japão vem passando por mudanças culturais importantes e que podem se transformar em oportunidades de negócios relevantes para os empresários brasileiros.
A principal delas é a quebra de alguns tabus como a eleição de um primeiro ministro divorciado, ocupação de cargos importantes (governador, deputados, secretários) por mulheres e nova visão do que é tradição. "Isto mostra que o clima está favorável para estabelecer novos negócios."

Alencar Burti, presidente do Sebrae-SP que teceu palavras de saudação ao público.
Os participantes do seminário receberam uma lição de ouro, com as regras para vencer no mercado japonês. De acordo com o especialista, os consumidores de lá valorizam produtos que atendam seus desejos e não as necessidades básicas, que tragam saúde e beleza (do corpo e da mente) e que tenham qualidade e com alto valor agregado. O pós venda e a assistência técnica também são desejáveis.
"Os japoneses desconhecem o que é produzido aqui; para nós vocês são o país do café, futebol, carnaval, churrasco, da caipirinha, da floresta amazônica e, mais recentemente, do própolis e do cogumelo do sol. Vocês precisam criar uma marca forte de seus produtos, mostrar que produzem muito mais que isso, principalmente no setor de manufaturados", explicou.
Para Ivani Maluf, gerente do consórcio de exportação Brazil Decor and Design, que reúne 20 pequenas empresas produtoras de objetos de decoração e presentes, a palestra abriu seus olhos com relação ao mercado consumidor japonês e fez incluir o país entre as conquistas do grupo para o ano que vem.

Participantes lotaram o auditório do Sebrae-SP.
"Meu receio com relação ao Japão eram os tabus e o desconhecimento deles do nosso segmento industrial, da nossa matéria-prima. Com as mudanças, novas portas se abrem. Precisamos agora criar uma estratégia para divulgar nossa marca", acredita.
Para seguir adiante na conquista do mercado japonês, Maluf acredita que o Sebrae e a Apex (Agência de Promoção de Exportações) precisam realizar um trabalho forte e dinâmico para "ajudar a nos estabelecer em países sofisticados como o Japão e a Europa".
A questão da criação e consolidação de uma marca também chamou a atenção de Francisco Grabenweger e Armando Taddei Júnior, gerentes do consórcio de exportação Brazilian Bakery Equipment, especializados em equipamentos para padarias. "A palestra valeu pelos esclarecimentos e reforçou a importância da questão da marca. Vamos trabalhar por isso".
Cônsul do Japão no Brasil afirma que comércio nipo-brasileiro precisa de incremento

Hitohiro Ishida, cônsul-geral do Japão em São Paulo fazendo discurso de saudação aos presentes.
Ao contrário do que noticiado com freqüência, a economia do Japão continua sadia e vigorosa, ao menos em alguns aspectos. O país tem o segundo maior Produto Interno Bruto do mundo, ficando atrás apenas dos EUA, recuperou 10 posições no ranking dos países mais competitivos do mundo (saindo do 21º lugar em 2001, para o 11º em 2003), isto apesar da década de 90, considerada perdida pelos especialistas japoneses.
Por isso, esta é a hora de reerguer a relação comercial entre o Brasil e Japão, que nos últimos anos sofreu significativas quedas, intensificando as exportações para a terra do sol nascente.

Público-participante do encontro
Na ocasião do evento, o cônsul geral do Japão, Hitoshiro Ishida, explicou que o país está verificando sinais de recuperação econômica. "Por isso precisamos restabelecer o nível das relações comerciais nipo-brasileiras, que estão num patamar abaixo do que deveríamos ter."
Para reconstruir esta relação e romper a estagnação, Ishida afirmou que o país está construindo uma rede de parcerias, envolvendo governo, empresários, agentes econômicos. "Não é uma tarefa fácil, mas vamos dinamizar este intercâmbio."
Os sinais positivos que a economia japonesa vem revelando, mesmo que pequenos, mostram uma tendência de crescimento econômico. "Esta é a hora de empresários e governo japonês olhar o Brasil sob um ponto de vista estratégico. Falta esta visão das oportunidades que este país apresenta", afirmou Makoto Tanaka, presidente da Câmara.

Participantes prestigiando o evento
O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-SP, Alencar Burti, acredita que o momento é propício à reorganização das relações entre os dois países, principalmente pelo desenvolvimento e intensificação das ações comerciais entre pequenas e médias empresas brasileiras e japonesas.
"O Sebrae está disposto e vai investir para que a efetiva integração comercial aconteça, trabalhando em parceria com a Câmara e o Consulado e promovendo missões comerciais e outras atividades de promoção comercial. As pequenas empresas são elementos importantes em ambos os países e tenho certeza que vão ajudar a construir uma ponte sólida que liga o Brasil ao Japão", afirmou.
Fonte: Sebrae-SP
Texto: Eliane Santos
Fotos: André Leite Fachine





