Carreira versus Crises Econômicas e Políticas

Marcos Haniu
O Executivo brasileiro é brilhante em termos de criatividade, energia e resultados. Também, é um dos melhores preparados para dirigir as empresas em meio a crises econômicas e políticas, nacionais ou internacionais.
Qual o perfil deste executivo que consegue manter e até mesmo melhorar os resultados das empresas num contexto de crises agudas ?
São profissionais que possuem atitudes positivas em relação as turbulências do mercado. Aqueles que enxergam a grande oportunidade de nestas ocasiões, mostrar para os acionistas e para a organização, que ele é um provedor de soluções, que é corajoso em executar ações duras, impopulares, mas necessárias, que tem energia para trabalhar mais, que possui modernos conceitos de gestão e por fim, que tem equilíbrio emocional para conviver com prazos exíguos e pressões. Ser ainda sensível com seu time e com suas respectivas famílias nos momentos difíceis, incentivar seus funcionários em seu aperfeiçoamento, manter o bom humor e ser positivo. É o oposto da abominável postura apocalíptica nos períodos de crise que paralisam a dinâmica empresarial.
Em geral, estes profissionais especiais têm origem em empresas que, mesmo impactadas pelas crises conjunturais, ofereceu-lhes recursos, níveis adequados de empowerment e uma liderança que os incentivasse no uso da criatividade e da ousadia atrelada a ética e a técnica. São oriundos de empresas onde a comunicação funciona e as estratégias e as operações são mensuradas. Foram motivados por remuneração justa e competitiva e apoiados no contínuo aperfeiçoamento profissional e acadêmico.
Fazendo a empresa a sua parte, estes profissionais de sucesso são aqueles que sabem usufruir dos benefícios de uma empresa com as práticas mencionadas. Além de suas qualificações profissionais, prezam pela educação continuada, são bem estruturados social, emocional e familiarmente, politicamente atualizados, culturalmente privilegiados, zelosos na saúde, espirituais e geralmente exercem atividades voluntárias.
São diferenciados nas questões de ética, justiça e responsabilidade, não só por suas qualidades e formação individual, mas também pelo convívio com as melhores referências pessoais e profissionais.
Parece ser o sonho de um perfil ideal de um homem ou de uma mulher, mas os fatos comprovam tal realidade.
É fácil justificar uma postura conservadora, paralisante de investimentos em projetos e em pessoas. Basta apontar os riscos do Brasil, os problemas estruturais, nossas incertezas políticas e econômicas. O resultado dessa postura é a manutenção dos níveis mínimos de negócios, funcionários pouco desafiados e desenvolvidos. Falta de fé e de competência em assumir e gerir riscos, mínimo espírito visionário, enfim prato cheio para o concorrente.
O executivo muitas vezes corre o risco de ser contaminado por esta letargia, adotando inadivertidamente o mesmo posicionamento em relação a sua vida e sua carreira profissional.
Acabam encontrando inúmeros motivos para manter ou criar sua zona de conforto, onde quaisquer ações de mudanças ou melhorias são abortadas, tendo como justificativas o risco do momento ou as incertezas do futuro.
A receita é administrar as variáveis controláveis – atitudes e empregabilidade – e utilizar as variáveis incontroláveis – eclosão de crises – como informações para o posicionamento estratégico.
Em termos concretos para o caso das carreiras, ao invés de ser absorvido pela Guerra do Golfo, gastar energia para concluir o MBA ou aprimorar-se nas técnicas de gestão. No caso das empresas, além de preocupar-se com os efeitos da atual crise do PT, verificar seus processos, suas práticas e assim sua competitividade em relação ao concorrente.
Conceitualmente, é a diferença entre a precaução e a preocupação. A primeira, gera ações produtivas e a segunda, dispêndio de energia improdutiva.
O momento é de crise portanto não há contratações, certo ? Errado. Num contexto de crise, sem dúvida o nível de contratações de executivos é afetado. Mas é claro que, principalmente em tais momentos, elas necessitam ser mais competitivas e para tal precisam de profissionais que estejam preparados para atender as empresas nessa necessidade de vida ou morte.
Assim, a necessidade de reter e contratar existe mesmo nos tempos de crise, mas a questão é: qual a disponibilidade destes profissionais ?
Eclodida a crise, qualquer que ela seja, inclusive interna da organização, é tarde para começar a se preparar e para buscar contatos: a carreira deve ser administrada no médio e longo prazo, questionando-a constantemente e fazendo-se melhorias nos conceitos de empregabilidade diariamente. Ao mesmo tempo, ao longo dela, a boa prática nos ensina a sermos estratégicos em termos do network profissional, ou seja, administrar adequadamente sua exposição perante o mercado.
O Brasil é um país privilegiado por oportunidades constantes de negócios, atrativo para investimentos, com empresas nacionais e multinacionais operando fortemente e é um país plenamente servido de recursos acadêmicos para melhorias na formação e na carreira. Condições ideais para que haja trabalho e fazê-lo com brilho.
Quanto as crises internacionais e aos nossos problemas estruturais, responde-se respectivamente: qual a economia que não sofre seus impactos e qual o país que não as tem ?
Enfim, tudo é uma questão de atitude.
Marcos Haniu, diretor-presidente de Authent Retainer Executive Search, vice-presidente da Comissão de Estudos de Assuntos Trabalhistas e membro do GIE – Grupo de Investidores Estrangeiros da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, e vice-chairman do Comitê de Recursos Humanos da Câmara Americana de Comércio – Amcham.
E-mail: haniu@authent.com.br





