Marcelo Salomon (fotos: Rubens Ito / CCIJB).
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O economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon, fez uma palestra na Câmara, em evento promovido pelo Departamento Financeiro. O economista abordou o tema "Brasil 2006: Vencendo a Volatilidade ". Foi no dia 31 de agosto, no auditório da sede social. Participaram do evento o presidente Makoto Tanaka, o presidente do departamento, Katsuyoshi Fukuda e cerca de 30 executivos de empresas associadas. A explanação do expositor foi feita em inglês.
O Unibanco é o terceiro maior banco privado brasileiro, com mais de 80 anos de história e atuação no mercado.
Um dos mais conceituados economistas do país, Marcelo Salomon foi economista-chefe do ING-Brasil São Paulo por dois anos e meio, responsável por Brasil e Argentina. De 2000 a 2001 foi o estrategista para os Mercados Emergentes do Deutsche Bank em Nova York (EUA). Entre 1997 a 2000 foi o economista para a América Latina do Merrill Lynch também em Nova York. É professor-adjunto na Escola de Administração de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas e possui Ph.D pela Columbia University e mestrado pela FGV São Paulo, ambos em Economia.
O palestrante fez análises e projeções macroeconômicas a seguir mencionadas:
. Cenário internacional de maior aversão ao risco devido à incertezas com relação à política monetária nos Estados Unidos. Pouso foçado da economia norte-americana parece ser o maior risco.
. Ativos de risco, inclusive brasileiros, sofreram com o aumento da volatilidade. Incertezas devem continuar no futuro próximo, mas fundamentos devem prevalecer nas avaliações de preço.
. Inflação nos Estados Unidos é mitigada pela desaceleração do crescimento econômico, promovida pela queda no consumo e no setor imobiliário.
. Apesar das incertezas globais, os fundamentos devem prevalecer, explicando porque os ativos brasileiros estão apresentando melhor performance do que de outros países emergentes.
. Mercado já volta aos níveis de preço anteriores às turbulências de maio, com fechamento da curva prefixada e dos títulos longos do tesouro.
. Fundamentos sólidos e maior solvência externa estão ajudando a proteger a economia brasileira, das ondas de incerteza global. Altos superávits comerciais, redução da dívida externa e aumento das reservas internacionais devem manter a volatilidade mais baixa que no passado.
. Melhora do perfil da dívida interna e redução do endividamento externo ajudam a consolidar a percepção de solvência do governo. A exposição do governo ao câmbio mudou de sinal. Se o real se desvalorizar, a dívida/PIB deve cair. Uma situação bastante diferente de 2002, quando o overshooting do dólar contaminou os fundamentos fiscais.
. Altos superávits comerciais combinados a fluxos externos permitiram que o Banco Central aumentasse o estoque de reservas internacionais. O elevado estoque de reservas deve fazer o Banco Cenral ponderar os benefícios de novos incrementos, em face aos custos fiscais de esterilização.
. Indicadores de solvência exrterna continuam melhorando.
. Inflação baixa, juros reais elevados, utilização de capacidade instalada baixa e expectativas de inflação bem ancoradas estão abrindo o caminho para novas quedas da Selic. A queda de juros deve continuar no Brasil, apesar do ciclo global de aperto monetário.
. Inflação continua a desacelerar e o conério permanece benigno. Mais do que um reflexo da apreciação cambial, inflação de não comercializáveis vem mostrando queda consistente, se aproximando do menor nível dos últimos cinco anos.
. Absorção doméstica deve ser o maior impulso de crescimento no ano, motivada pelo consumo privado e pelo estímulo fiscal.
. E o efeito do consumo privado mais forte já é visível. A atividade varejista no Norte e Nordeste vem sendo impulsionada por programas de transferência de renda.
. Melhora nas condições de emprego e de crédito devem impulsionar crescimento da demanda. O consumo doméstico deve ser o principal driver do crescimento em 2006.
. Quando comparado com 2004, demanda doméstica não deve pressionar a inflação. Contribuição das exportações líquidas está em queda, permitindo que o consumo doméstico e os investimentos aumentem sem pressionar o nível de utilização da capacidade instalada.
. Utilização da capacidade instalada está menor do que em outros ciclos de expansão econômica, especialmente nos setores de bens de consumo.
. Investimentos estão em alta, favorecidos pelo real mais forte, taxas de juros mais baixas e preços internacionais de bens de capital. O que por sua vez aumenta o PIB potencial.
. Austeridade fiscal, um dos pilares da estabilidade macro do país, pode correr riscos no médio/longo prazo. Entretando, os riscos de não cumprimento das metas foram reduzidos devido a resultados melhores do que o esperado no segundo trimestre do ano.
. Aumento de despesas correntes e benefícios do INSS estão comprometendo a sustentabilidade do ajuste fiscal. Gastos maiores ao longo do ano (efeitos do aumento do salário mínimo e ciclo eleitoral) podem comprometer ainda mais este cenário.
. Superávit primário elevado ainda é necessário para estabilizar/reduzir a relação divida/PIB. E sem espaço para se financiar via inflação ou expansão da dívida; ou o governo corta gastos correntes para investir em infra-estrutura, ou a carga tributária terá que continuar subindo.
. Últimas pesquisas eleitorais apontam o presidente Lula como favorito nas eleições de outubro. Tanto a intenção de voto do presidente Lula como a avaliação do seu governo estão subindo, o que aumenta as chances de decisão no primeiro turno das eleições.
. Projeções:
– Crescimento do PIB (%): 3,5 em 2006 e 3,5 em 2007
– Inflação (IGP-DI) %: 3,2 em 2006 e 4,5 em 2007
. Inflação (IGP-M) %: 3,4 em 2006 e 4,5 em 2007
– Inflação (IPCA) %: 3,8 em 2006 e 4,5 em 2007
– Balança comercial (US$ bilhão): 39 bilhões em 2006 e 36 bilhões em 2007 – Exportações: 138 bilhões em 2006 e 151,8 bilhões em 2007 – Importações: 99 bilhões em 2006 e 115,8 bilhões em 2007.
– Conta corrente (US$ bilhão): 9,7 bilhões em 2006 e (-) 2,1 bilhões em 2007.
– Conta corrente (% PIB): 1,1 em 2006 e (-) 0,2 em 2007
– FDI (US$ bilhão): 18 bilhões em 2006 e em 2007
– FDI (% GDP): 2,5 em 2006 e 2,6 em 2007
– Taxa de juros (Selic) % – final: 14,0 em 2006 e 13,0 em 2007
– Taxa de juros (Selic) % – médio: 15,2 em 2006 e 13,5 em 2007
– Taxa de juros (Selic/US$) %: 22,6 em 2006 e 11,8 em 2007
– Taxa de juros reais (Selic/IPCA) %: 11,0 em 2006 e 8,6 em 2007
– Taxa de juros reais (Selic/IGP) %: 11,6 em 2006 e 8,6 em 2007
– Taxa de câmbio (R$/US$) – final: 2,20 em 2006 e 2,23 em 2007
– Risco Brasil (Embi) – final: 220 em 2006 e 220 em 2007
– Desvalorização real do câmbio (IPCA/CPI) %: (-) 6,0 em 2006 e 1,5 em 2007
– Superávit primário (% do PIB): 4,25 em 2006 e 4,25 em 2007
– Dívida líquida (% PIB): 49,1 em 2006 e 46,9 em 2007.
. Riscos:
– Externos: a) reversão da tendência de crescimento global (curva de juros americana se inclina bruscamente para cima; recessão nos EUA; aumento da inflação e redução do crescimento nos EUA); b) rompimento da bolha de commodities; e c) preço do petróleo.
– Domésticos: a) eleições de 2006; b) queda do crescimento econômico; e qualidade do ajuste fiscal e ajustes necessários em 2007.







