Mercado japonês: Apex-Brasil aposta na consolidação de estratégias de longo prazo

Mercado japonês: Apex-Brasil aposta na consolidação de estratégias de longo prazo

 

 

Juan Quirós (fotos: Rubens Ito / CCIJB).

 

       

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“O processo de conquista e consolidação do mercado japonês depende, em grande parte, de estratégias de longo prazo”. Esta foi a afirmação do presidente da Apex-Brasil, Juan Quirós, durante encontro que manteve no dia 15 de setembro com membros da Câmara, em São Paulo. A  APEX-Brasil é uma agência do governo brasileiro que atua com o objetivo de estimular as exportações brasileiras bem como também na busca de investimentos externos para o país.

Apesar de o Japão ter uma população de 127 milhões de habitantes, com alto poder aquisitivo – renda per capita próxima a US$ 30 mil -, disposição para comprar e necessidade de importar 60% do que consome, a participação de produtos e serviços brasileiros no mercado japonês é ainda pouco explorada. Atualmente o Japão é o sétimo principal destino das exportações brasileiras. O Brasil responde por apenas 0,6% do que os japoneses importam, e ainda, com uma pauta muito concentrada em matérias-primas e produtos básicos, como minério de ferro, alumínio, frango congelado, suco de laranja e soja. Em contrapartida, as importações brasileiras do Japão — quinto maior fornecedor de mercadorias ao Brasil — são de produtos de maior tecnologia e valor agregado, como motores, eletroeletrônicos, peças e acessórios para veículos.

Com o propósito de reverter esta situação, a APEX-Brasil, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) vêm construindo em parceria um projeto intitulado de “Iniciativa Japão”.

A idéia por trás da teoria é simples para quem hoje acompanha as dificuldades de países que dependem das exportações de commodities: os preços dos produtos básicos tendem sempre a cair em relação aos preços das mercadorias mais sofisticadas. Como conseqüência, os países que dependem da exportação de commodities são mais vulneráveis às crises externas por conta da queda do valor das exportações.

A saída para essa armadilha será a diversificação da estrutura produtiva, ou seja, a industrialização, tornando a economia do país capaz de produzir e exportar bens de maior valor agregado.

Fortalecer a imagem do Brasil e de seus produtos em solo japonês e construir parcerias entre ambos os países são os objetivos da Iniciativa Japão. Ela abrange ações promocionais, dirigidas ao público japonês, com início em 2006, avançando até 2008. Ao final deste período espera-se que o Brasil tenha ampliado suas relações comerciais e que haja uma maior cooperação entre empresas brasileiras e japonesas, constituindo relações sustentadas de parceria entre os dois países.

Os planos da Apex são de dobrar as exportações de produtos manufaturados para o Japão, chegando a US$ 1 bilhão até 2008. Para compor esta empreitada estão previstos o desenvolvimento de várias ações que vão desde a realização de estudos setoriais, encontros de negócios, participação em eventos de nicho de mercado, mapeamento de investimentos e celebração do Centenário de Imigração Japonesa no Brasil (2008). Para tanto, serão priorizados setores exportadores experientes e com produtos diferenciados de alto valor agregado. Alguns deles são: jóias, cosméticos, vestuário e têxteis, calçados e artigos esportivos, café, sucos, produtos orgânicos, produtos para animais de estimação, TI, médico-hospitalar odontológico, aeroespacial e plásticos.

Seminário Mercado Japonês

Com a finalidade de dar amplo conhecimento sobre a Iniciativa Japão, mostrando às empresas brasileiras de diversos setores estratégias para conquistar o consumidor japonês, a Embaixada Japonesa, a APEX-Brasil e a CNI realizaram em agosto deste ano, o “Seminário Mercado Japonês: Perfil, Tendências e Desafios”. O evento contou com a presença de 220 participantes e foi assistido via videoconferência por mais de 150 pessoas em todas as regiões do país.

Na ocasião, o consultor Reugene Nishikawa, profissional japonês de marketing, palestrou sobre o perfil de consumo e tendências do mercado de seu país. Foram apresentadas também as estratégias de empresas e entidades setoriais brasileiras que conseguiram êxito com seus negócios e se estabeleceram no mercado japonês. Entre elas as indústrias Alpargatas, que transformou as Havaianas em ícone do consumo de luxo no Japão, ao lado de renomadas grifes internacionais, como Chanel e Louis Vuitton.