Câmara sediou palestra sobre economia

professor Juarez Rizzieri
A Câmara foi palco, no último dia 19 de agosto, de palestra sobre conjuntura econômico-financeira. O evento, promovido pelo Consulado Geral do Japão em São Paulo, que visa o aprofundamento da concepção da realidade brasileira, foi considerado muito proveitoso pelos executivos e empresários, que compareceram à entidade.
A palestra foi proferida pelo professor Juarez Rizzieri, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (Universidade de São Paulo), pesquisador da FIPE – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e presidente da Ordem dos Economistas de São Paulo.
O professor abordou, em sua explanação, questões sobre a agenda Brasil: dificuldades econômicas como financiamento externo, financiamento do setor público, baixo crescimento e taxa de desemprego elevado; dificuldades sociais como distribuição de renda, que gera a pobreza e a violência; e dificuldade política para a mudança dos rumos da economia.
Rizzieri analisa que "quando as taxas de juros caem, a indústria cresce e vice-versa". "Se houver a confiança dos investidores externos, as taxas de juros vão diminuindo", justifica. Em seu discurso, ele lembrou a época dos governos Sarney e Collor, quando as taxas de juros eram baixas, com alta inflação. "A economia não cresceu apesar dos juros baixos". "Não adianta ter juros baixos se não tiver inflação baixa, como aconteceu no período da desordem econômica", argumentou.
Na palestra, o professor traçou um perfil de cada um dos principais candidatos à Presidência da República e previu os novos cenários econômicos e sociais, desenhados a partir do programa de governo desses postulantes. Também, comentou sobre os limites que cada candidato teria, se eleito, para implementar efetivamente o seu programa.
Segundo ele, cerca de 2/3 do comércio exterior no mundo é feito pelas multinacionais e em sua análise, afirma que o Brasil não tem vocação histórica para o comércio exterior, preferindo o mercado interno.
O professor Rizzieri fez uma projeção ampla da economia, prevendo para o ano 2002 inflação de 5,8%, taxa nominal de juros de 17,5%, taxa real de juros de 9,5%, taxa de câmbio com o dólar valendo 2,80 reais em dezembro, superávit na balança comercial de US$ 5,5 bilhões, déficit no saldo da corrente de US$ 19 bilhões, déficit em transações correntes em 3,5% do PIB, superávit primário fiscal de 3,7% do PIB, desemprego aberto de 7,8%, investimento direto de US$ 17 bilhões, dívida pública em relação do PIB de 58% e crescimento do PIB de 2,2%.
Para o ano 2003, ele projeta inflação anual de 5,5%, taxa nominal de juros de 14,5%, taxa real de juros de 9%, taxa de câmbio com o dólar valendo 3 reais, balança comercial com superávit de US$ 7 bilhões, saldo da conta corrente de US$ 17 bilhões negativos, déficit em transações correntes da ordem de 2,5% do PIB, superávit primário fiscal de 4,5% do PIB, desemprego aberto de 8%, investimentos externos de US$ 20 bilhões, dívida pública em relação ao PIB de 65% e crescimento do PIB de 3,5%.





