O perfil do verdadeiro líder

O perfil do verdadeiro líder

Roberto Shinyashiki

O crescimento e consolidação de um líder somente se efetivam a partir da evolução da sua equipe! Infelizmente, ainda há muitos executivos que, além de não enxergarem essa realidade, sentem-se ameaçados pelo crescimento dos seus colaboradores. Assim, não permitem que sua equipe participe dos grandes projetos, de forma que todos sempre dependam deles. Querem ser os "todos poderosos" nas empresas onde trabalham. Essa ilusão do poder cria os maiores problemas na vida de um executivo: excesso de trabalho, decisões equivocadas, equipe sem autonomia, que cria dificuldades para a empresa, e estresse e estagnação profissional.

O verdadeiro líder é aquele que consegue criar novos líderes em sua própria equipe e vislumbra com generosidade o crescimento dos seus colaboradores: um que foi deslocado para dirigir a filial de outro Estado; outro promovido a um posto no Exterior; um terceiro que se tornou supervisor de vendas para a América do Sul. Esse diretor ou gerente tem muito sucesso porque faz crescer a sua equipe.

Entretanto, ainda há executivos com visão distorcida sobre essas questões. Não percebem que quando o colaborador cresce empurra seu líder para cima. Quem fica apegado a seu cargo não favorece a si próprio e nem contribui para o desenvolvimento dos outros. Cria raízes na estagnação e, a cada dia, fica mais pobre.

Conheço uma história que retrata bem isso. É a história do cabo Felício. Fiz o serviço militar num quartel em São Vicente, no litoral de São Paulo. Lá havia um cabo – vamos chamá-lo de Felício – que estava se aposentando, indo para a reserva. Era um sujeito bacana, mas passou toda a vida como cabo. Um dia, perguntei ao capitão:

– Por que o cabo Felício não foi promovido? Por que passou a sua carreira toda como cabo?

O capitão respondeu:

– Ele sempre foi muito apegado à pocilga. Na sua cabeça, só ele sabia cuidar da pocilga. Quando mandávamos alguém ajudá-lo, ele criava tanto caso que era melhor deixá-lo lá sozinho. Ocorre que, no organograma do quartel, quem cuida da pocilga deve ser um cabo. Quando pensávamos em promoções e selecionávamos os cabos para fazer o curso de sargento, sempre aparecia um oficial dizendo para não mexermos com o cabo Felício, pois era o único que sabia cuidar da pocilga. Então, cabo Felício, por causa de sua maneira de pensar, ficou eternamente na posição de cabo.

Há muitos executivos que vivem como o cabo Felício. Têm medo de perder sua posição e acabam se tornando escravos dela. Mas como ajudar os outros a crescer?

A resposta é muito simples: dando-lhes atenção, um gesto simples e ao mesmo tempo grande e nobre, que muitas vezes esquecemos de praticar. O grande fermento para o crescimento do outro é a atenção. A pessoa que recebe atenção sente-se importante e, por isso, estimula-se ao crescimento permanente.

Quando um colaborador se responsabiliza por um projeto, e seu gerente ou diretor o acompanha com atenção e carinho, o projeto começa a tomar corpo. Toda a equipe sente-se animada em executar bem o trabalho por causa do interesse de seu líder. Resultado: os dois crescem e a empresa fica mais forte.

Roberto Shinyashiki é médico psiquiatra, com pós-graduação em Administração de Empresas (MBA pela Universidade de São Paulo-USP), escritor, consultor e presidente da Editora Gente e do Instituto Gente.