Diretor da Fiesp destaca importantes desafios para a economia brasileira

Na principal palestra do evento confraternização dos associados, realizado pela Câmara, em São Paulo, no dia 17 de maio de 2006, o diretor de Relações Internacionais e de Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, ponderou três importantes desafios para a economia brasileira. “Há três questões que afligem o Brasil. A primeira, o câmbio que causa preocupação e perda da competitividade, ligada intimamente à taxa de juros. Atrai capital para a arbitragem de juros fazendo com que o fluxo de entrada seja muito superior ao de saída. Mecanismos de curto prazo seriam melhorar o câmbio. Tenho esperança de que em breve o governo brasileiro tomará caminhos que vão à direção da desvalorização do real próxima a um patamar mais competitivo. Talvez, o dólar valendo entre 2,60 a 2,70 reais. Segundo, em relação à energia, há muita preocupação no mundo. Geopoliticamente o problema do Irã. O etanol pode trazer mais força às relações bilaterais Brasil-Japão. Muitos empresários japoneses estão interessados no etanol brasileiro e vêem com atenção esta questão, sendo o álcool uma energia limpa, menos poluente, contínua e mais econômica (mais barata do que a gasolina). Em terceiro, o Brasil vê com preocupação a China. A China não é uma economia de mercado. Enfrentamos problemas com produtos importados chineses pela prática de “dumping”, subfaturamento e pirataria”.

O diretor da Fiesp ainda ressaltou que o Brasil precisa superar certos obstáculos para reduzir os custos e melhorar a competitividade dos seus produtos no exterior. Citou como entraves os elevados custos de logística (transportes de mercadorias), portos, ordem financeira e carga tributária. “Apesar de tudo isso, com capacidade e perseverança o Brasil tornou-se competitivo no mercado internacional, crescendo nos últimos anos bem mais do que a média mundial”.

Roberto Giannetti mostrou-se preocupado com o surgimento de presidentes populistas e nacionalistas na América Latina. “Colocam em cheque o espírito de amizade e cooperação entre os países sul-americanos. Brasil, Chile e México dão muito valor às relações e contratos internacionais”. Segundo Giannetti, o Brasil prefere o multilateralismo, mantendo relações “importantes e vigorosas” com diversas regiões e países do planeta (Estados Unidos, União Européia, Japão, China, América Latina, África entre outros).

O dirigente da Fiesp criticou os subsídios agrícolas praticados pelos países desenvolvidos que, a seu ver, “distorcem a economia mundial e prejudicam o emprego e as exportações de determinados países como o Brasil”.

Segundo o palestrante, o Brasil se tornará um ativo negociador internacional, criando múltiplas negociações, podendo ser através do Mercosul, bem como de forma independente com cada país.

Finalizando, Roberto Giannetti convidou a Câmara para participar das atividades da Fiesp assim como para efetuar parcerias com aquela entidade, que possui cerca de 130 mil firmas filiadas e é equivalente ao Nippon Keidanren (Federação das Organizações Econômicas do Japão).

Rubens Ito / CCIJB

 

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Roberto Giannetti da Fonseca (foto: Rubens Ito / CCIJB)