Curitiba, 10/11/2005 – Para atender a enorme demanda do mercado japonês, o Governo do Paraná pretende dar todo o apoio para que oito usinas de álcool paranaenses, atualmente desativadas, voltem a operar com capacidade total, gerando milhares de empregos diretos. A revelação foi feita na noite de quarta-feira (09) pelo secretário estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Virgílio Moreira Filho, durante jantar que o governador Roberto Requião ofereceu a uma comitiva de empresários japoneses, tendo a frente o embaixador do Japão no Brasil, Takahiko Horimura.
Shigeru Otake, ministro da Embaixada do Japão no Brasil, responsável pelas áreas de indústria e comércio, confirma o interesse dos japoneses pelo álcool paranaense. “O Japão está pesquisando outro tipo de energia sustentável, para não contar tão somente com a energia proveniente do carbono. O álcool aparece como uma excelente alternativa, por se tratar de energia renovável”, comentou.
Segundo ele, o Japão tem interesse também em ampliar suas importações de frango e soja do Paraná. “Atualmente, no Japão, há uma grande preferência por produtos não trangênicos. A soja pura produzida no Paraná atende a demanda e a exigência do mercado japonês que, em função disso, deve ampliar seus negócios aqui. No caso do frango, a ampliação das importações fica por conta da gripe aviária, que atingiu paises que tradicionalmente exportavam para o Japão”, contou Otake.
Fim da estagnação – Shigeru Otake e o secretário Virgílio Moreira Filho acreditam que o encontro promovido na quarta-feira (09) pelo governador Roberto Requião e ainda o I Seminário Econômico Codesul-Japão, realizado nesta quinta-feira (10), devem incrementar a balança comercial entre o Paraná e o Japão, que em 2004 rendeu um superávit de quase US$ 100 milhões em favor do estado brasileiro. O Paraná exportou 160 produtos para o Japão por US$ 195 milhões e importou US$ 97 milhões.
O representante do governo japonês lembrou que historicamente as empresas de seu país sempre demonstraram interesse por investir em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mas, com o surgimento do Mercosul, a atenção do empresariado do Japão se voltou para a região Sul. “Assim, para entender melhor as potencialidades do Brasil, não podemos deixar de lado o Codesul, que compreende os três Estados do Sul e o Mato Grosso do Sul. É preciso olhar amplamente para essa região, que possui uma posição estratégica em relação ao Mercosul”, disse Otake, revelando ainda que existem várias empresas japonesas, instaladas no Brasil, interessadas em implantar unidades no Paraná, Rio Grande do Sul e Santas Catarina.
Para o governador Germano Rigotto, do Rio Grande do Sul, os Estados do Sul despertam o interesse dos japoneses porque possuem mão-de-obra qualificada e uma formação étnica que se caracteriza pelo trabalho, dedicação, disciplina e agregação familiar. “Esta é uma característica da cultura japonesa. Se olharmos para o crescimento das empresas no Japão percebemos que ele se deu pelo trabalho, dedicação e disciplina. Assim, quando olham para o Sul do Brasil, vêem uma região onde os investimentos além de gerar empregos e renda vão proporcionar o crescimento de suas empresas. Portanto, esse é o momento de mostrarmos um pouco mais de nossos estados e, com isso, atrair mais e novos investimentos para o país”, disse Rigotto.
Ele considera importante a proposta de atuação em bloco defendida pelo governador Roberto Requião, ao dar todo seu apoio para o Seminário Econômico Codesul-Japão. “Acho muito importante atuarmos em bloco sempre que pudermos, para mostrar o potencial da região sul e assim atrair mais investimentos. O Codesul tem exatamente esse papel, de ver os problemas comuns da região e as políticas que podem ser adotadas e que unam os quatro Estados. O exemplo visto aqui em Curitiba deve servir de modelo para outras ocasiões”, finalizou o governador do Rio Grande do Sul.
Fonte: AEN – PR





