Tóquio, 27/05/2005 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a empresários japoneses, como já havia feito em discurso no Parlamento, que o Brasil seja "destino preferencial" de seus investimentos. Lula e os ministros que o acompanham na viagem ao Japão tiveram, sexta-feira (noite de quinta no Brasil), um café da manhã com 17 executivos dos principais grupos empresariais japoneses.
Participaram do encontro, entre outros, Yorihiko Kojima, presidente da Mitsubishi, Takeo Fukui, presidente da Honda, Nobuyuki Idei, presidente do Conselho de Administração da Sony, Taizo Nishimuro, presidente do Conselho de Administração da Toshiba, e Hiroshi Saito, além de representantes de grandes bancos japoneses como o Mizuho, o Tokyo-Mitsubishi e o JBIC (Japan Bank for International Cooperation).
A agenda do presidente no restante do dia incluiu encontro com representantes da Liga Parlamentar de Amizade Brasil-Japão; almoço no Palácio Imperial com o imperador Akihito; encontro com o presidente de Portugal, Jorge Sampaio; visita à estação do metrô de Shimbashi para conhecer o programa de divulgação do Brasil em vagão da linha Ginza, e à exposição sobre etanol, montada no Hotel Okura. Lula participou também do encerramento da reunião conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão e do seminário "Brasil-Japão: Oportunidades de Comércio e Investimentos".
Os ministros que acompanharam Lula são Antonio Palocci (Fazenda), Roberto Rodrigues Agricultura), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Dilma Rousseff (Minas e Energia) e Walfrido Mares Guia (Turismo). Estavam presentes ainda os governadores do Ceará, Lucio Alcântara, e do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, que também integraram a comitiva.
Celso Amorim destaca diálogo sobre combustível de biomassa e diz que Japão tem ''fome de energia''
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, destacou que "foi extremamente importante" o diálogo entre Brasil e Japão sobre a utilização de combustível de biomassa e a criação de um grupo de trabalho sobre o tema que aconteceu em reunião ontem (25). "É um país faminto de energia, que tem grande preocupação ambiental e necessidade de ter garantia de abastecimento. Então há progressivamente uma perspectiva muito positiva".
Segundo Amorim, os dois países estão se redescobrindo: "Tivemos uma parceria fortíssima na década de 70 com outras condições, mas, de qualquer maneira, o Japão é um país que tem complementariedades enormes com o Brasil".
Sobre a participação do Japão na Organização Mundial do Comércio (OMC), o ministro afirmou que o país "tem problemas localizados em poucos produtos e é uma questão que tem que ser vista com o tempo". Segundo Amorim, apesar de diferenças, o Brasil e Japão sempre tiveram um bom diálogo na OMC.
Dutra avalia que viagem ao Japão foi positiva para Petrobras
Integrante da comitiva que acompanha o presidente Lula ao Japão, o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, avalia que o saldo da viagem foi positivo para a companhia e confirma a posição da Petrobras como a empresa brasileira que mantém o maior número de relações com companhias japonesas.
Segundo Dutra, a Petrobras é também a empresa estrangeira que tem o maior volume de financiamentos do Japan Bank for International Cooperation (JBIC), o banco de desenvolvimento do Japão. Os valores hoje superam US$ 4 bilhões. A viagem foi uma oportunidade para a Petrobras estreitar ainda mais os laços com o JBIC. "Firmamos um memorando que estabelece uma parceria estratégica da Petrobras com esse banco japonês, que com certeza vai respaldar uma série de outros investimentos que o banco deverá fazer", afirma.
Além disso, foram firmados outros memorandos com grupos japoneses. "Dois deles envolvem financiamentos de US$ 1,2 bilhão. Na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), serão investidos US$ 900 milhões e US$ 300 milhões irão para um financiamento corporativo que deve ser aplicado na área de segurança operacional e meio ambiente", explica Dutra.
Para o presidente da Petrobras, o sucesso alcançado no Japão pode ser entendido a outras empresas brasileiras uma vez que os japoneses estão vendo a economia do Brasil de forma favorável. "Objetivamente o que eles querem é segurança para seus investimentos, retorno, regras claras e bem definidas. Acredito que os últimos anos têm demonstrado que o Brasil tem a possibilidade de garantir isso para eles", afirma. (da Agência Brasil – Spensy Pimentel / Yara Aquino)





