Embaixador lembra dificuldade das empresas japonesas no México sem o acordo de livre comércio

O embaixador do Japão no Brasil, Tadashi Ikeda, em seu discurso de despedida aos associados da Câmara, durante Almoço de Confraternização, no dia 16 de abril em São Paulo, fez uma rápida retrospectiva dos seus quase dois anos frente ao cargo e relembrou das "amargas experiências" que as empresas do Japão radicadas no México tiveram e ainda estão tendo, concluindo que elas sofreram enormes prejuízos com a ausência de um acordo bilateral de livre comércio. Tadashi Ikeda está deixando o país e está de retorno ao Japão. Atendendo a solicitações do setor privado, o diplomata destacou, para que o caso mexicano não repita com as corporações japonesas no Brasil, a necessidade de o governo japonês dedicar, doravante, esforços no sentido de formalizar um acordo de livre comércio entre o Brasil e o Japão ou o Mercosul e o Japão.

O México e o Japão chegaram recentemente a um acordo para a assinatura de um tratado de livre comércio, que, segundo a agência de notícias japonesa "Kyodo News", poderá ser homologado até agosto deste ano e deverá vigorar a partir do ano que vem. As negociações, que duraram 16 meses, só se tornaram viáveis depois de o governo japonês ter feito, pela primeira vez, concessões no setor agrícola. O comércio entre os dois países registrou US$ 6,3 bilhões em 2002.

Se o tratado for realmente concretizado, será a primeira vez que o Japão entra em um acordo de livre comércio com um importante exportador e produtor agrícola e de carne bovina e é apenas o segundo acordo de livre comércio que o país concluiu até agora – o outro foi feito com Cingapura, que não foram inclusos temas agrícolas. Em troca, o México reduzirá suas tarifas em mais de 40% aos produtos industriais japoneses, como carros e aço. O acordo deverá aumentar as exportações mexicanas ao Japão em mais de 10% ao ano, durante a próxima década e gerar quase 277 mil empregos.

O México já dispõe de onze tratados de livre comércio, que cobrem um total de 32 países (na Ásia, apenas a Coréia do Sul). De acordo com o governo mexicano, incluindo o Japão, os acordos do país irão abranger dois terços da economia mundial.

Em tom de despedida, o embaixador destacou e agradeceu pelo apoio total e irrestrito que a Câmara tem dedicado na elaboração do relatório de estudos sobre a viabilidade de um possível acordo de livre comércio Brasil-Japão ou ainda acordo de livre comércio Mercosul e Japão.

Por outro lado, Tadashi Ikeda informou que a embaixada se encontra trabalhando para convidar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a visitar o Japão no mês de junho deste ano. Mas, de acordo com o diplomata, por ora está difícil formular sua agenda.

Quanto ao nome que irá substituir Tadashi Ikeda na Embaixada do Japão no Brasil será Takahiko Horimura, nomeado pelo governo japonês e já foi cônsul-geral do Japão em São Paulo (1997).

Rubens Ito / CCIJB – 16/04/2004