Comércio Bilateral Brasil-Japão em 2003

Em 2003, o fluxo do comércio bilateral Brasil-Japão totalizou, de acordo com dados da SECEX/MDIC, US$ 4,83 bilhões, um aumento de 8,78% em relação ao ano anterior. As exportações brasileiras cresceram 10,13%, chegando a US$ 2,31 bilhões, enquanto que as importações aumentaram 7,37%, atingindo US$ 2,52 bilhões. A balança comercial continua favorável ao Japão, mas o saldo japonês diminuiu para cerca de US$ 210 milhões — o menor valor desde que o comércio bilateral tornou-se deficitário para o Brasil, em 1997. O Japão segue como o sétimo maior destino de nossas exportações (tendo respondido em 2003 por 3,16% do total exportado pelo Brasil) e como o quarto colocado entre os maiores fornecedores para o Brasil (5,22% das nossas importações vêm do Japão).

A pauta de exportações brasileiras continua dominada por produtos básicos, embora os semi-manufaturados, puxados pelo alumínio, tenham tido em 2003 desempenho destacado. As exportações permanecem concentradas em grupo relativamente pequeno de bens: os dez principais produtos absorvem cerca de 75% do total das exportações. Como em anos anteriores, o minério de ferro foi o produto brasileiro mais exportado para o Japão (US$ 457 milhões). A lista dos mais vendidos é completada por alumínio em forma bruta (US$ 383 milhões), frango (US$ 237 milhões), soja (US$ 140 milhões), ferro-ligas (sobretudo ferro-nióbio) (US$ 116 milhões) pasta química de madeira (celulose) (US$ 116 milhões), café cru em grão (US$ 114 milhões), suco de laranja congelado (US$ 76 milhões), madeira em estilhas ou em partículas (US$ 53 milhões) e fumo (US$ 49 milhões).

Destaque-se o crescimento de 48% no valor das exportações de alumínio em relação ao ano anterior e de 23% nas de café em grãos — que cresceu mesmo diante das dificuldades de importação após a detecção de diclorvos em carregamentos de café brasileiro. As exportações de pastas químicas de madeira aumentaram 17%; as de madeiras em estilhas, 11%; e as de carne de frango em cerca de 10%. As vendas de minérios de ferro cresceram em 9%, sobretudo graças ao aumento no valor do produto, já que não houve maior variação no volume importado.

Em que pese a preferência do mercado local pela variedade natural da soja, as exportações brasileiras desse produto para o Japão mantiveram-se estáveis em 2003, mesmo depois da liberação do plantio de soja transgênica no Rio Grande do Sul. Tiveram queda acentuada as exportações de milho em grão (-26%), álcool etílico (-26%) e fios de seda (-19%), que experimentaram em 2002 altas atípicas de vendas para o Japão.

De acordo ainda com as estatísticas brasileiras, o Japão foi em 2003 o maior mercado para as exportações brasileiras de alumínio em bruto (cerca de 42,4% do total exportado); segundo maior importador de minérios de ferro (13,2%) e de carne de frango (13,9%); quarto maior para café (8,8%) e para suco de laranja (8,4%); sexto para pastas químicas de madeira (6,7%); sétimo para soja (3,3%) e para fumo (4,7%); e oitavo para couros e peles (2,3%).

Com base em dados japoneses, o cruzamento dos principais produtos da pauta de exportações brasileiras com a demanda japonesa mostra que em 2003 o Brasil foi o principal fornecedor ao Japão de ferro-nióbio (fatia de 94,7% do total importado pelos japoneses), de suco de laranja congelado (79,8%) e de café em grãos (produto em que 26,1% das importações japonesas provieram do Brasil). O País é também o segundo maior exportador para o Japão de carne de frango (35,7% do total importado), de minério de ferro (21,1%), de caulim (19,0%), de ferro-silicone (14,8%), de soja (15,4%) e de fumo (13,8%); além de ser o terceiro maior fornecedor japonês em celulose (15,1%) e em alumínio (9,1% das importações nipônicas). Nossas fatias de mercado em alumínio, minério, café, celulose e frango aumentaram significativamente em relação a 2002.

No que diz respeito às importações brasileiras do Japão, tampouco houve modificação no perfil da pauta, em que predominam os manufaturados. As principais categorias importadas forma partes e peças para veículos automotores e tratores (US$ 201 milhões); motores, geradores e transformadores elétricos (US$ 152 milhões); e circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 139 milhões). Ao contrário da pauta de exportações brasileiras, há maior diversidade entre os bens importados do Japão — os dez principais produtos respondem por cerca de 42% do valor total importado.

Do ponto-de-vista do comércio exterior japonês, a importância relativa do Brasil continua baixa. Apenas 0,8% das importações japonesas provieram do Brasil — ainda assim o Brasil permanece como o maior exportador latino-americano para o Japão, com o Chile na segunda posição. Por outro lado, menos de 0,5% das exportações do Japão tiveram o Brasil como destino — o México é o melhor mercado latino-americano para as exportações nipônicas, importando quase duas vezes mais do que o Brasil. Os Estados Unidos permanecem como principal destino dos produtos japoneses (24,6% do total exportado), seguido pela China (12,2%) e República da Coréia (7,4%). Quanto às importações japonesas, a China é desde 2002 a principal fonte provedora de produtos (19,7%), seguida pelos EUA (15,4%) e República da Coréia (4,7%).