O pré-candidato Donald Trump já tem praticamente assegurada a sua indicação pelo Partido Republicano na corrida presidencial americana. Neste Comentário, Hirohito Nezu, da sucursal da NHK em Washington, fala sobre formas pelas quais uma eventual conquista da Presidência por Trump poderá afetar as relações entre o Japão e os Estados Unidos.
“No passado, o Japão raramente foi alvo de atenção em eleições presidenciais americanas. Desta vez, porém, a situação é outra. O pré-candidato referiu-se várias vezes ao Japão, elevando o tom crítico da sua retórica a respeito do país. Um dos seus alvos é o Tratado de Segurança Japão—Estados Unidos. Trump insiste que o Japão deveria arcar com todos os custos do posicionamento de tropas americanas em seu território. Sugeriu que, se o país recusar, vai retirar as forças. Além disso, afirmou que convém ao Japão ter armas nucleares próprias para se contrapor a uma Coreia do Norte em posse desses armamentos. Frequentemente os argumentos do pré-candidato estão baseados em mal-entendidos. É hora de o governo japonês esclarecer o lugar das coisas na aliança nipo-americana.
O que está por trás das declarações de Trump é a política externa chamada América em primeiro lugar. Corresponde a um ‘voltar-se para dentro’, próximo do isolacionismo, mas reflete a atual situação nos Estados Unidos. O presidente Obama reiterou que a América não é mais a polícia do mundo. O país desempenha um papel cada vez menor no plano internacional. Os americanos estão crescentemente insatisfeitos com o envolvimento do país em guerras no Afeganistão e no Iraque. Querem que o governo dê prioridade aos Estados Unidos. Aparentemente o pré-candidato tira vantagem da latente frustração da população.
Há, no entanto, incertezas quanto à seriedade com que Donald Trump pretende cumprir suas promessas. Conversei com velhos amigos dele e seus estrategistas de campanha. Eles disseram que as declarações do pré-candidato integram táticas destinadas a conquistar votos. Alguns deles afirmaram que atualmente não há necessidade de preocupação com os laços nipo-americanos. Só que não é nova a assertiva de Trump de que a aliança entre os dois países seja injusta. Parece que ele vem dizendo isso há uns 30 anos. Um dos seus assessores mais próximos declarou que ele tentará renegociar a aliança se concluir que o acordo não beneficie os Estados Unidos.
As atenções se voltam a seguir para a convenção do Partido Republicano em julho, quando será formalmente anunciado o candidato a vice-presidente pela agremiação. É altamente provável que será alguém com ampla experiência em política. Também será revelada a plataforma eleitoral da candidatura Trump. Os olhos do mundo estarão atentos ao evento.” (da NHK World)
